Lewandowski autoriza inquérito para investigar Padilha por crime ambiental
Chefe da Casa Civil é suspeito de 'destruir e danificar' área de preservação permanente
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (15) a abertura de inquérito para investigar o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, por suposto crime ambiental na drenagem de uma região de mangue no litoral norte do Rio Grande do Sul. A investigação não tem relação com a Operação Lava Jato.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Um dos ministros mais próximos do presidente Michel Temer, Padilha é suspeito de ter destruído uma área de preservação permanente para a construção de um parque eólico financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). A pena prevista para o crime é de um a três anos de prisão mais o pagamento de multa.
Leia também
Em nota (leia a íntegra ao final desta reportagem), a Casa Civil informou que em dezembro de 2016 "foi firmado um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (Fepam-RS) para extinguir qualquer obrigação relativamente a tal fato".
Lewandowski atendeu a pedido feito no fim de fevereiro pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para investigar Padilha pelo suposto crime ambiental.


Doação de sangue em Maceió

Acidente em Marechal Deodoro gera engavetamento

Áudios revelam ordem para PTK se infiltrar na política de Maceió

Polícia prende suspeitos de integrar o Comando Vermelho em AL e no RJ
Com o aval do ministro do STF, o ministro da Casa Civil passa a ser formalmente investigado pelo Ministério Público. Esse é o primeiro inquérito aberto no Supremo para investigar Padilha.
"Com efeito, à primeira vista, os fatos descritos pelo procurador-geral da República em sua manifestação configuram, em tese, ilícito penal, devendo-se salientar que os autos possuem elementos probatórios aptos a embasar o início das investigações", escreveu Lewandowski no despacho.
"Da mesma maneira, as diligências requeridas mostram-se necessárias para melhor elucidar as condutas descritas na representação, motivo pelo qual devem ser imediatamente deferidas para a formação da opinio delicti do órgão acusatório", complementou o relator.
O caso chegou ao Supremo em agosto do ano passado, enviado pela 7ª Vara Federal de Porto Alegre em razão do foro privilegiado de Padilha.
Agora, será iniciada a fase de coleta de provas e de depoimentos. Na sequência, o procurador-geral da República terá de decidir se denuncia Padilha ou se pede o arquivamento do caso. Não há prazo para Janot se manifestar sobre o caso.
Entre as provas a serem coletadas, o procurador pediu informações à Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler e que a PF realize diligências no local para eventualmente confirmar a destruição da vegetação típica.
Rodrigo Janot também pediu autorização para depoimento de um dos administradores da empresa Girassol Reflorestamento, que pertenceria a Padilha.
Entenda o caso
O nome de Eliseu Padilha surgiu quando a Polícia Federal do Rio Grande do Sul investigava a construção de um canal de drenagem no Balneário Dunas Altas, na cidade gaúcha de Palmares do Sul, em uma área de preservação permanente.
A empresa responsável pela obra era a Girassol Reflorestamento e, segundo a apuração, o ministro da Casa Civil está entre os sócios.
Conforme a apuração, nas proximidades da construção irregular havia uma placa com os dizeres "Fazenda Giriva", que é de propriedade de Padilha".
Segundo dados do Auto de Constatação Ambiental anexado ao processo, o terreno que teria sido danificado tem 664,42 hectares de território total. Nesta área, foi construído, em 2013, um fosso de aproximadamente 2,1 metros de comprimento por 5 metros de largura, de forma a totalizar 10,5 mil m² de destruição da vegetação.
Odebrecht
Amigo pessoal de Temer há décadas, Eliseu Padilha foi citado em delações premiadas de executivos e ex-dirigentes da Odebrecht como beneficiário de caixa 2 que teria sido repassado pela construtora para campanhas eleitorais do PMDB.
A TV Globo confirmou com várias fontes que Padilha é um dos políticos alvo de pedido de inquérito da PGR. Nesta quarta (14), Janot enviou à Suprema Corte 83 pedidos para investigar autoridades com foro privilegiado que foram mencionadas pelos dirigentes e ex-dirigentes da Odebrecht.
Além de Padilha, o chefe do Ministério Público também pediu autorização para investigar, pelo menos, cinco ministros, seis senadores, um deputado e ex-integrantes dos governos Lula e Dilma, inclusive os dois ex-presidentes.
Caberá ao relator da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, decidir se autoriza ou não a abertura dos inquéritos para apurar os políticos.
Íntegra
Leia abaixo a ínteegra da nota divulgada pela Casa Civil:
NOTA
Sobre o inquérito hoje (15) autorizado para apurar fatos atribuídos ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, por suposto crime ambiental pela abertura de uma vala, o ministro esclarece que: foi firmado em 09 de dezembro de 2016 Termo de Compromisso Ambiental (TCA) com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (Fepam,RS) para extinguir qualquer obrigação relativamente a tal fato.
