Desafio da redação do maior jornal impresso de Alagoas é fazer o diferencial
Jornalistas dizem que, no dia a dia, tarefa maior é aprofundar temas
Até o jornal chegar às bancas ou na casa dos assinantes, uma equipe composta de profissionais seletos trabalha para manter o conteúdo de qualidade. São editores, chefes de reportagem, repórteres de texto e de fotografia, estagiários, diagramadores, colunistas, revisores, operador de scanner e de tratamento de imagem, secretária de redação e motoristas. O desafio da Gazeta, na atualidade, é buscar o diferencial em relação ao que já foi noticiado nas mídias mais urgentes (como rádio, TV e internet).
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Apesar da enorme missão, a Gazeta é forte e consegue trazer fatos novos diariamente, conseguindo a proeza de pautar outros veículos. O editor-geral da Gazeta de Alagoas, Claudemir Araújo, avalia que, ao contrário do que muitos pensam, o jornalismo impresso não vai acabar. "Temos buscado enfoques diferenciados, mais aprofundados, fazer trabalhos mais investigativos e também mais ligados à realidade local dos nossos leitores. É importante ser mais atrativo, buscar maior identidade com os leitores", avalia.
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O editor-executivo de Política, Kelmenn Freitas, reconhece o cenário desafiador, mas diz apostar no talento dos profissionais e no poder da Gazeta de se auto-inventar para manter o padrão de qualidade. "Enfrentamos dois desafios: a recessão econômica no país e a disputa com as novas mídias aglutinadas pela internet. Mas, isso não tem inibido os nossos profissionais em buscar sempre o diferencial nas nossas matérias, para que o leitor receba diariamente, pelas mãos do jornal, informações mais aprofundadas sobre o que tem movimentado Alagoas".
A editora-executiva de Cidades, Cristina Limeira, diz ser um privilégio e motivo de orgulho para qualquer profissional de comunicação poder participar dos 83 anos da Gazeta de Alagoas. "Mesmo numa época de globalização da informação e com o advento das novas tecnologias, obrigando o impresso a se reinventar, ele é extremamente necessário no contexto político, econômico e, principalmente, social na cobertura dos fatos", avalia.


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Uma das chefes de reportagem da Gazeta, Vitória Alcântara diz que sempre foi apaixonada pelo jornalismo, principalmente o impresso. Há 12 anos, afirma que tem a oportunidade de trabalhar com o que mais ama. Ela admite que, nos últimos anos, com o avanço da internet, produzir pautas para o jornal é um desafio diário, mas tem buscado despertar o interesse do leitor, que hoje se informa em tempo real pelos sites.
"Mas, o diferencial do jornal é trabalhar com matérias que aprofundem os temas, que acrescentem informações ainda não abordadas. É com essa visão de futuro, de integrar impresso e online, que a equipe da Gazeta de Alagoas trabalha para sempre levar a melhor informação aos nossos leitores", comenta.
Gerações distintas
Gilberto Farias, 67, cresceu vendo o mundo através de uma câmera fotográfica. O pai, Pedro Farias, já trabalhava na Gazeta de Alagoas quando o adolescente começou a frequentar a redação. Foram tantas visitas, que em uma delas, o senador Arnon de Mello vendo a afinidade do jovem com a fotografia, lhe arrumou uma pauta. Nascia, em meados da década de 1960, o mais longevo repórter fotográfico da Gazeta.
Com 50 anos de profissão, Gilberto Farias tem muita história para contar, ou melhor, para mostrar. Foi através das suas lentes que fatos das últimas cinco décadas se tornaram história. De protestos a procissões, de eleições a velórios. Tudo registrado e, na maioria das vezes, estampada na primeira página.
"Fiz muitas coberturas, mas algumas me marcaram", relembra Gilberto: "Em 1968, na visita da Rainha Elizabeth II e do príncipe Phillip da Inglaterra ao Brasil, fiz as fotos do casal em Recife. Pela primeira vez vi uma cobertura mundial, foi emocionante. Em 70, fotografei a inauguração do Estádio Rei Pelé, com o jogo entre a Seleção Alagoana e o Santos, de Pelé - que ganhou de 5 a 0. Outra pauta de que tenho orgulho e me recordo com carinho foi a visita do papa João Paulo II, em 1991, a Maceió".

Gilberto Farias se orgulha da medalha que recebeu, em 2014, da Organização Arnon de Mello (OAM), quando a Gazeta de Alagoas completou 80 anos. "Foi uma homenagem por todos os anos na Gazeta, um trabalho de que me orgulho, onde aprendi e cresci muito como pessoa e profissional".
Há cerca de um ano, quando a estudante de Jornalismo Keila Calheiros Wanderley, 26, teve contato pela primeira vez com a Redação da Gazeta, ela planejava ficar apenas seis meses no estágio e partir, então, para uma temporada de estudos em São Paulo. Mas, ela foi fisgada pela "paixão insaciável pelo Jornalismo", como disse o escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez.
"Eu achava que não ia conseguir escrever. Mas o impresso é empolgante, desafiador. É um aprendizado constante, para escrevermos temos que nos informar bem, entender o assunto que estamos abordando e assim poder passar para o leitor".
