Policiais civis entregam cargos de chefia e possibilidade de greve ganha força
Chefe de operações seguiram orientação do Sindpol e abriram mão de gratificações
Atendendo a uma sugestão do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), alguns agentes entregaram, na manhã desta quinta-feira (23), os cargos de chefia e com gratificação. Eles compareceram à Delegacia Geral de Polícia Civil, em Jacarecica, para tomar esta medida, que faz parte da mobilização da categoria por reajuste no piso salarial. Está marcada uma paralisação dos policiais civis para ser iniciada nesta sexta-feira (23).
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O vice-diretor jurídico do Sindpol, Ricardo Nazário, diz esperar uma adesão de 100% na paralisação. "Hoje, vamos entregar esses cargos e a partir de amanhã as delegacias já estarão sem chefes de operação e de cartório. Todas as delegacias têm pelo menos um chefe de operações e esperamos que todos entreguem", comenta.
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Ele explica que os chefes de operações fazem o comando da delegacia junto com o delegado e são responsáveis pelas escalas, pela operacionalidade da delegacia e também vão para apuração de crimes na rua. Sem eles, o comando ficará todo na responsabilidade do delegado.
O Sindpol garante que, com a greve, vão ser mantidos os 30% dos serviços, mas os policiais ficarão responsáveis por guarda de preso, segurança dos prédios da Polícia Civil e dos inquéritos. Há possibilidade de que os demais serviços fiquem comprometidos.


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A greve dos policiais engloba agentes e escrivães, o que dá um total de 1.800 servidores. O diretor do Sindpol não sabe, ao certo, quantos são os cargos de chefia e com gratificação. Sobre a declaração do governador, de que o Estado só concederia aumento a todos os servidores, Ricardo Nazário disse que a afirmação seria "mais uma mentira".
Decisão final
Nesta sexta-feira, haverá uma assembleia geral da categoria, a partir das 8h, no auditório do Sindicato dos Bancários, e o sindicato espera que, até lá, o governo adote uma outra postura. De acordo com os policiais, a intenção não é entrar em greve, mas resolver as demandas.
Eles pedem que seja implantado o piso de nível superior, que é de R$ 3.700. Apesar de terem nível superior, atualmente, eles ganham R$ 3.062, menos que um militar de nível médio, segundo o Sindpol.
"É mentira!"
De acordo com os sindicalistas, uma proposta para pagamento do valor em duas vezes, em março de 2017 e de 2018, estava sendo acertada, mas o novo secretário de Planejamento, Fabrício Marques, teria retirado a oferta e agora quer pagar em uma vez, no caso, em dezembro de 2018, passando a valer a partir de janeiro de 2019.
"Não sabemos nem se o governador vai se eleger, então como ele oferece algo para pagar em 2019? A categoria rejeitou isso e decidiu pela greve. Nosso salário é o terceiro pior do Brasil. O governo tem que entender que a polícia civil é um elo da segurança pública e não dá pra fazer segurança com a polícia civil desmotivada", afirmou Nazário.
"Quando deflagramos greve da outra vez, ele também falou isso e pediu que nós voltássemos. Mas, o que aconteceu foi que ele deu aumento para o Detran, para os agentes penitenciários, para os professores da Uneal e nós ficamos de fora, não ganhamos nada. Parece até que o governador tem alguma coisa contra a Polícia Civil, só pode", completa.
Já com relação à declaração de que eles teriam recebido aumentos durante o governo Renan Filho, ele também desmentiu. "É uma mentira também a valorização. O que aconteceu foi que no final do governo Téo conseguimos a implantação do plano de cargos e carreiras. No final do mandato, ele implementou e o governo novo ia voltar atrás na lei? Ele só continuou a implantação e está dizendo que ele fez alguma coisa", comenta.
Ontem, em entrevista coletiva para apresentar o plano de policiamento durante o Carnaval, o secretário de Segurança Pública Lima Júnior afirmou que a mesa de negociação com a categoria está aberta e que, caso os policiais civis decidam mesmo deflagrar a greve, haverá mudanças no planejamento apresentado inicialmente para o carnaval.
