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Serial killer é condenado a 13 anos e 4 meses por morte de morador de rua

Vítima foi assassinada enquanto dormia sob uma marquise em Goiânia. Júri considerou que vigilante não é inteiramente capaz de responder por atos

O vigilante Tiago Henriques Gomes da Rocha, de 29 anos, apontado como serial killer de Goiânia foi condenado nesta segunda-feira (20) a 13 anos e 4 meses de prisão pela morte do morador de rua Wesley Alves Guimarães, de 39 anos. A vítima foi morta enquanto dormia sob uma marquise na rua C-4, no Jardim América, em fevereiro de 2013.

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O júri considerou que o réu foi culpado pela morte do morador de rua. Porém, os jurados aceitaram a tese da defesa e consideraram que o vigilante é semi-imputável, ou seja, não é inteiramente capaz de responder pelos seus atos.

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O réu não compareceu ao julgamento, masenviou uma carta na qual reconhece "erros do passado"e pedindo desculpa pelos crimes. Mesmo sem comparecer, ele foi julgado. Na carta encaminhada ao júri, o serial killer diz que está arrependido.

"Reconheço profundamente meus erros do passado. Meus sentimentos pelas famílias que foram atingidas. Não quero mais fazer o que fazia, pelo contrário. Meu único objetivo atualmente é tentar minimizar de alguma forma tudo o que aconteceu fazendo o bem", disse.

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Na mensagem, ele também diz ser uma pessoa fechada e que não fala sobre os crimes. "Reconheço que preciso me abrir mais. Porquê sou visto como um bicho de sete cabeças? (sic) Simplesmente o que anseio é poder abrir meu coração", escreveu.

Por fim, finaliza o texto com versos, nos quais diz que se curvou sobre o erro e que, com seus crimes, seu mundo "ficou mais imundo.

O juiz Jesseir Coelho de Alcântara disse que a carta foi anexada ao processo e uma cópia encaminhada aos jurados. "Ele não fala em morte, assassinato, homicídio, ele fala em erros. Ele usa um tom poético que só um psicanalista pode ser capaz de entender os sentimentos dele. A carta é uma forma de tentar minimizar os crimes", disse.

Durante a audiência de instrução do caso, em julho de 2015, a mãe de Wesley, a diarista Eliena Aparecida Alves, pediu que o caso não ficasse impune. "Quero justiça para o meu filho", disse.

Na ocasião, Eliena contou que sempre tentou tirar o filho das ruas e o levar para casa, mas ele se recusava, dizendo que ia trabalhar. Ainda segundo a diarista, ele não tinha esposa e nem filhos, era uma pessoa quieta, sem inimizade, mas que tinha problemas psicológicos.

"Eu cheguei a internar ele por um mês, mas depois que ele voltou para casa, acho que ele ficou com raiva de mim e passou a dormir na rua com medo que eu internasse ele de novo", contou.

A diarista chegou a ser listada como testemunha no julgamento desta manhã, mas não compareceu.

Condenações

O vigilante, apontado como responsável por mais de 30 assassinatos, está preso desde outubro de 2014.Dos 29 julgamentos a que ele já foi submetido, foi condenado em 27. Em outras duas situações, ele foi inocentado.

Além desses, outros quatro casos nos quais o serial killer foi denunciado estão aguardando recurso. Dois deles estão no Superior Tribunal de Justiça: da Wanessa Oliveira Felipe, morta no de 23 de abril de 2014, dentro de uma farmácia no Bairro Goiá; e da Bruna Gleycielle de Sousa Gonçalves, assassinada no dia 8 de maio de 2014, em um ponto de ônibus na avenida T-9.

Os outros processos estão no Tribunal de Justiça de Goiás: do Diego Martins Mendes, morto no dia 9 de março de 2011, assassinado por enforcamento em um lote no Setor Negrão de Lima; e da tentativa de homicídio de Euripa dos Reis Soares em 19 de julho de 2014, próximo do Córrego Cascavel, quando ela descia de um ônibus.

Os recursos foram pedidos pela defesa, que descordou do pronunciamento do Ministério Público nos casos em questão.

O vigilante também já foi condenado pela Justiça a 12 anos e 4 meses de prisão em regime fechado por ter assaltado duas vezes a mesma agência lotérica do Setor Central, na capital goiana.

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