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USP em Ribeirão Preto terá 1º centro de pesquisas de canabidiol do Brasil

Pesquisadores têm autorização para testes em 120 crianças com epilepsia. Laboratório vai desenvolver medicamentos à base da substância.

A Universidade de São Paulo (USP) anunciou a inauguração do primeiro centro brasileiro de pesquisas em canabinoides, substâncias derivadas da maconha. A previsão é que o laboratório comece a funcionar até o final de 2017 no mesmo prédio do departamento de saúde mental da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP).

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Em nota, a USP informou que um dos objetivos do centro é a realização de estudos para o desenvolvimento de medicamentos à base de canabidiol, um dos primeiros componentes da maconha descritos cientificamente.

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Os pesquisadores já têm autorização para realizar testes com a substância em 120 crianças e adolescentes diagnosticados com epilepsia refratária, ou seja, que não respondem ao tratamento com dois ou mais medicamentos.

Em 16 de janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia anunciado o registro do primeiro remédio à base de maconha no país: o mevatyl é indicado ao tratamento de espasticidade, ou rigidez excessiva dos músculos, em pacientes com esclerose múltipla.

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Até então, a Anvisa somente liberava a importação de medicamentos à base de cannabis sativa, a maconha, comprados em outros países, mas não havia um produto dessa categoria com registro no Brasil.

Inicialmente, o investimento para a construção do prédio é de R$ 3 milhões e será coberto pela Empresa Prati Donaduzzi como parte do convênio firmado com a USP em janeiro de 2016.

Novos estudos

O novo centro de estudos funcionará em parceria com a indústria farmacêutica Prati-Donaduzzi e será coordenado pelo professor Antônio Waldo Zuardi, do departamento de neurociências e ciências do comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

"O Centro realizará pesquisas básicas visando testar possíveis indicações terapêuticas de canabinóides, em testes pré-clínicos, e seus mecanismos de ação, bem como, pesquisas clínicas com voluntários saudáveis e pacientes, com o objetivo de testar as indicações terapêuticas que passaram pelos testes pré-clínicos atingindo  esse nível de desenvolvimento", afirma o professor Antonio Zuardi.

Doutor em psicobiologia, Zuardi integra uma equipe que há 40 anos estuda o canabidiol e, segundo a USP, esse é o grupo brasileiro com maior número de publicações sobre o uso da substância em tratamentos terapêuticos.

"O que está em desenvolvimento na USP são estudos sobre possíveis ações terapêuticas do canabidiol, que devem cursar um longo caminho até que possam ser reconhecidos como medicamentos. A pesquisa que está mais adiantada nesse sentido é como antiepiléptico. A pesquisa na Doença de Parkinson também está bem adiantada, embora ainda faltem ensaios clínicos", diz.

A USP informou ainda, em nota, que o primeiro Centro de Pesquisas em Canabinoides contará com uma ala para pesquisa básica de laboratórios e outra para estudos clínicos com pacientes e voluntários. A data para o início de funcionamento não foi divulgada.

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