'Queria que ele confessasse a morte de minha mãe', diz neto de delegado federal
Em depoimento à polícia, Milton Neto afirmou que jamais teve a intenção de matar o avô, mas confirmou a autoria do crime
O neto do delegado federal encontrado morto em um condomínio situado na cidade de Paripueira, Litoral Norte de Alagoas, prestou depoimento nessa sexta-feira (27), horas após o fato, na Delegacia da Barra de Santo Antônio. Milton Omena Farias Neto disse que jamais teve a intenção de matar o avô, mas confirmou a autoria do crime. O depoente alegou que procurou a vítima para que confessasse o possível assassinato cometido contra a própria filha, a jornalista Márcia Rodrigues, mãe de Milton.
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No depoimento, Milton disse que sua mãe foi assassinada dentro da residência do delegado, situada no mesmo condomínio, apesar de o delito ainda se encontrar em fase de investigação policial. Em sua fala, ele argumentou que o avô, Milton Omena Farias, era violento, tendo, inclusive, atirado na perna da esposa e tentado matar a filha com uma mesa de centro e outros objetos. Por tais razões, toda a família deduzia que o delegado era o responsável pela morte da jornalista e sempre conseguiu "se safar" de tal acusação.
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Ao delegado, Milton relatou ter procurado o avô por volta das 13h de ontem, buscando saber se o mesmo realmente foi o autor do assassinato de Márcia. Segundo ele, quando chegou ao imóvel, disse, de imediato: "admita que matou minha mãe" e o delegado retrucou: "sua mãe era uma vagabunda que só vivia criando problema para a família, inclusive, fez tudo para separar a sua avó de mim".
"[...] Empurrei o meu avô, querendo que ele confessasse o crime, mas ele revidou à agressão. Como ele tentou entrar em casa, deduzi que fosse pegar alguma arma de fogo para me matar. Tentei impedir, fui ferido por arma branca no braço esquerdo, mas consegui dar um 'mata-leão' nele. [...] Mesmo assim, ainda fui ferido outras vezes", disse Milton.


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"Como não chegou ninguém, peguei o telefone e tentei ligar para o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência], gritando 'fogo'; saí correndo em direção à praia e pedi para um popular ligar para a polícia. Samu e polícia chegaram e meu avô ainda estava com vida. Fui orientado a fugir, mas não quis e acabei preso. Eu não tinha a intenção de matá-lo, nunca fui preso nem processado", reforçou Milton.
A morte do delegado aconteceu poucas horas depois de a comissão de delegados da Polícia Civil (PC) ter convocado a imprensa para esclarecer as circunstâncias que resultaram na morte da jornalista Márcia Rodrigues, cujo corpo foi achado no dia 14 de agosto de 2016. A arma do pai dela foi encontrada ao lado do cadáver. O resultado do inquérito só deve ser divulgado na próxima terça (31).
