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Alagoas tem primeiro casamento com efeito civil em terreiro de candomblé

Cerimônia foi celebrada pela Ialorixá Mãe Míriam e pelo juiz Carlos Cavalcante

O primeiro casamento religioso candomblecista com efeito civil de Alagoas foi celebrado na noite desta sexta-feira (16), na Casa de Mãe Miriam. Religiosos e simpatizantes prestigiaram a cerimônia histórica, que representou a quebra de barreiras e oficializou uma vitória para todas religiões de matriz africana.

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"Para mim, posso afirmar que são duas vitórias. Uma como religiosa e Ialorixá e outra como advogada que esteve a frente dessa luta. Poder viabilizar tamanho marco histórico é uma honra", disse a advogada Kandysse Melo, que orientou os noivos na busca por essa conquista.

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Desde 1988, a constituição brasileira permite esse tipo de celebração, mas faltava a regularização dos terreiros. De acordo com ela, as casas de segmento afro estão crescendo e esse foi um grande passo. "Somos uma entidade religiosa como qualquer outra e, legalmente, essa foi uma conquista valiosa", afirmou.

Ao som dos instrumentos típicos do Candomblé, os presentes entoaram cânticos e celebram com fervor a noite que marcou não só vida do casal, mas também a dos adeptos da religião de base africana. A noiva, Simone Rosendo da Silva, de 33 anos, frequenta o terreiro desde os 10 anos e destacou a importância do evento. "Quebramos mais uma barreira. É um momento único e muito especial para todos nós", disse emocionada.

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				Alagoas tem primeiro casamento com efeito civil em terreiro de candomblé
FOTO: Ricardo Lêdo - Gazeta de Alago

Para o noivo, Idevaldo Fabrício Coelho, de 57 anos, o momento marca o fim de um longo processo. "Fomos atrás da Kandysse para que ela pudesse nos auxiliar. Eu e minha esposa sempre tivemos esse desejo de realizar um casamento no terreiro, e que o mesmo valesse como o de qualquer outra religião. E hoje realizamos esse sonho, acompanhados da Mãe Míriam, que também almejava oficializar um casamento aqui", contou o noivo.

"Estou aqui cumprindo a Constituição. Somos um Estado laico e todas as religiões têm a mesma dignidade e o mesmo valor", afirmou o juiz de direito da comarca de Maceió, Carlos Cavalcante de Albuquerque Filho.


				Alagoas tem primeiro casamento com efeito civil em terreiro de candomblé
FOTO: Rebecca Bastos

Preconceito

Segundo o teólogo e professor Edson Moreira, adepto do candomblé e Ialorixá, essa festa é um acontecimento importante para todas as religiões de matriz africana, que ainda sofrem preconceitos. "O brasileiro, no geral, ainda tem dificuldade em conceber a importância do negro e da nossa história. Eventos como esse são importantíssimos para revelar para a sociedade que não somos uma ceita satânica. Muitos, por falta de conhecimento, acabam julgando nossas celebrações e tem uma visão totalmente distorcida do que é a religião", explicou.

A Ialorixá Mãe Míriam realizou o sonho de celebrar um casamento em sua casa e espera que, com o passar do tempo, mais pessoas possam entender o verdadeiro significado de sua crença. "É uma satisfação levar a minha religião. Já passei por muitas situações desconfortáveis por conta da minha crença. Já fui chamada de endemoniada e acusada de adorar o diabo", contou.

Mãe Míriam completou dizendo que, por vezes, falta um pouco de estudo e cuidado por parte das pessoas que fazem insinuações negativas. "Adoramos um único Deus. A diferença é que também adoramos a natureza e tudo o que vem dela", finalizou.

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