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Escola pública ganha sala especial para alunos com QI acima da média

Estudantes participam de um projeto de extensão da Unesp Bauru (SP). Onze alunos foram apontados em 2 anos de estudos como superdotados

Um projeto escolar realizado na rede estadual de ensino de Bauru (SP) está empenhado em identificar alunos com talentos especiais. Eles estão sendo avaliados desde 2014 e onze estudantes considerados superdotados já ganharam uma sala especial de estudos em uma escola de periferia.

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O objetivo dessa sala especializada que a Escola Estadual João Pedro Fernandes Vanuire no Núcleo Gasparini ganhou é aproveitar o potencial destes alunos que no horário de folga voltam para escola e são acompanhados pela professora especializada nessa área e desenvolvem atividades conforme o interesse de cada um. "A maioria dos casos os professores levam quase tudo pronto. Aqui é construído junto com o aluno. É a partir do interesse deles. Às vezes a gente se depara com perguntas complexas. Eles querem fazer coisas que não são comuns", explica a professora Maria Auxiliadora da Silva Gonçalves.

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A estudante Rebeca Passos Sanjuliano de 12 anos faz parte desse grupo seleto que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), corresponde a 5% da população brasileira. "Eu sempre tive notas boas, mas estudar muito eu não estudava porque geralmente eu tentava prestar muita atenção na sala de aula. Então não tinha tanta necessidade de estudar."

O Breno Sgab Gomes de 12 anos também consegue tirar notas boas na escola sem dificuldade. "Eu aprendo, consigo tirar notas boas, consigo me dar bem nas matérias." Foi pensando em descobrir dentro da rede pública de ensino estudantes com habilidades acima da média que a professora Vera Lúcia Messias Fialho Capellini deu início a um projeto em Bauru.

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Só na Escola Estadual João Pedro Fernandes Vanuire 11 alunos que podem ser considerados superdotados. "A maior relevância do projeto é provar que talentos existem em todo e qualquer país e em toda e qualquer classe social. Isso precisa ficar muito claro. Não pode ser considerado aos olhos da sociedade uma surpresa, ficar abismados porque em uma escola de periferia como o José Pedro Fernandes ter 11 alunos com superdotação. Esta é a principal contribuição, desmistificar que um aluno com superdotação não exista na escola pública", explica.

Segundo a professora, o que acontece quase sempre é que esse estudante não é identificado. "A grande contribuição de identificar é que hoje esses alunos tendo o seu talento desenvolvido, amanhã podem dar uma grande contribuição", completa.

O projeto

Para chegar a esse resultado foram meses de estudos. Entre eles o teste de Quociente de Inteligência (QI), índice que mede a habilidade de pensar e raciocinar. Por exemplo, uma pessoa superdotada tem o QI  superior à 130, sendo que a média para a população geral é entre 100 e 110. Na escola 290 alunos foram avaliados.

"Muitas características dessas crianças podem ser observadas na escola pelos próprios professores. Então o trabalho que eu venho fazendo aqui na escola é de formação da professora especializada. Futuramente vou fazer um trabalho de formação com os demais professores na identificação desses alunos. Então existem características como facilidade de aprendizado, um vocabulário avançado para idade", explica a psicóloga Denise Brero.

A avaliação das habilidades dos alunos da rede pública em Bauru começou há dois anos. De lá pra cá, 477 estudantes apresentaram sinais de "superdotação", mas nem todos já tiveram essa situação comprovada. Por enquanto, a escola no Núcleo Gasparini é a única que possui sala especial.

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