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Procuradoria pede na Justiça que Cristiano Matheus devolva mais de R$ 70 milhões

Após auditoria nas contas do município de Marechal Deodoro, equipe de vice-prefeita diz ter encontrado "série de distorções"

A Procuradoria-Geral do Município de Marechal Deodoro apresentou à Justiça cinco propostas de ação que buscam responsabilizar o prefeito afastado da cidade, Cristiano Matheus (PMDB), pela suspeita de desvio de recursos. A prefeitura pede que o peemedebista devolva mais de R$ 70 milhões aos cofres públicos. Após o afastamento de Matheus por decisão da Justiça Federal há três meses, a vice-prefeita, Yolanda Alcântara, realizou um auditoria geral e informou ter encontrado distorções diversas.

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De acordo com o procurador de Marechal, Diogo Alencar, o levantamento inicial da auditoria aponta para "um rombo milionário" que o futuro prefeito, Cláudio Roberto, o Cacau (PSD), terá de assumir no início do ano vindouro.

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Em entrevista à Rádio Gazeta nesta quarta-feira, Alencar afirmou que a vice-prefeita, ao assumir o Executivo, deparou-se com o ''sumiço" de vários processos licitatórios, além da ausência de pagamentos a prestadores de serviço.

"As ações são resultados de um levantamento feito pela procuradoria ao longo das últimas semanas. Não há nenhum tipo de boataria. Tudo toma como base dados da própria prefeitura. Com esta iniciativa, buscamos reaver o prejuízo aos cofres públicos. Esperamos que a Justiça e o Ministério Público também atuem nesse sentido", expôs Alencar.

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Entre as ações, o procurador destaca uma que versa sobre o não repasse, entre os anos de 2009 até 2013, da contribuição previdenciária paga pelos servidores públicos, mas que não foi repassada para o fundo que administra os recursos. Diogo Alencar ressalta que, diante da ilegalidade, o prefeito afastado fez um acordo, em 2014, para o pagamento da dívida com recursos originários de royalties.

"Este pagamento é ilegal e, nesse sentido, o prefeito também precisa ser responsabilizado. Outro crime diz respeito ao limite constitucional com o gasto de pessoal, visto que, quando assumimos, o percentual ultrapassava os 62%, quando o legal é 57% do orçamento", explicou o procurador, relatando que, apesar das diversas tentativas, a atual administração não conseguiu localizar o rastro financeiro de cerca de R$ 6 milhões - montante que estava em caixa quando Matheus chegou à prefeitura.

Na mesma entrevista, o procurador-geral também afirmou acreditar que "o tamanho do rombo pode ser maior, já que a auditoria nas contas da prefeitura continuam".

"Estou tranquilo"

Procurado pelaGazetaweb, o prefeito afastado assegurou que tem como provar que todos os seus atos à frente da prefeitura foram legais. O peemedebista garantiu, ainda, que deixou a Previdência do município com mais de R$ 30 milhões em caixa. Segundo ele," todas as acusações são políticas e têm como objetivo justificar a inoperância da futura gestão, que não terá condições de fazer o mesmo trabalho que realizamos".

"Esta é uma questão fácil de se compreender. Posso explicar tranquilamente, e com provas, o que a Justiça por ventura solicitar. Tenho certeza de que ele não vai conseguir fazer uma boa gestão. Por isso, estão começando a espalhar que vão pegar uma prefeitura deficitária, o que não é verdade. Estou tranquilo para dar as explicações necessárias", colocou o prefeito afastado.

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