Candidato único, Nuzman é reeleito para sexto mandato à frente do COB
Sem oposição, barrada pela Justiça, Carlos Arthur Nuzman completará 25 anos no poder
Candidato único, Carlos Arthur Nuzman foi reeleito para a presidência do Comitê Olímpico do Brasil (COB) nesta terça-feira. O dirigente de 74 anos, também presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, está no comando da entidade desde 1995. Este será seu sexto e último mandato, até 2020, ano da Olimpíada de Tóquio. O vice é Paulo Wanderley, presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). Estiveram aptos para votar 30 presidentes ou representantes de confederações, três membros natos do COB (Nuzman, entre eles), e o representante dos atletas, o ex-jogador de vôlei de praia Emanuel Rego.
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Dos 29 presentes que depositaram seus votos em uma urna, 24 deram "sim" a Nuzman e um votou "não". Houve três abstenções, além de um voto nulo. Cinco não votaram: o presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo, Carlos Fernandes, afastado do cargo pela Justiça enquanto sua entidade está sob investigação por fraude; os presidentes das confederações de desportos de gelo, Emílio Strapasson, e neve, Stefano Arnhold, e Emanuel, ausentes no país; e o presidente do Tiro com Arco, Vicente Blumenschein, que teve problema em seu voo e chegou atrasado.
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Nuzman lembrou que assumiu o COB após sair da Confederação Brasileira de Vôlei sendo campeão olímpico em Barcelona 1992 com a seleção masculina. Segundo ele eram 8 funcionários trabalhando em meio turno para economizar luz. A sede deixou uma sala no Centro do Rio para um prédio na Barra da Tijuca, onde trabalham cerca de 200 pessoas. Uma delas, por sinal, acabou tirando o discurso impresso da mesa, fazendo com que Nuzman reclamasse enquanto discursava de improviso.
O dirigente disse que teve méritos por ter dado força às confederações que comanda. Agradeceu a "confiança desses dirigentes" para mais um mandato e ao governo brasileiro pela implantação da Lei Agnelo/Piva, que destina recursos das loterias ao COB e às confederações. Ressaltou que é necessário tempo nos cargos para chegar aos objetivos, como as conquistas do Pan do Rio, em 2007, e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
- Não é em pouco tempo que alguém transforma o esporte. Ninguém transforma uma entidade para ser vencedora. A história não mostra isso, e sim um longo trabalho em conjunto e unido. O legado dos Jogos Olímpicos nos dá a certeza de construir uma enorme confiança nas confederações brasileiras. Agora o foco é a gestão. Vamos ter muito trabalho pela frente. Saímos dos sete anos de organização dos Jogos Olímpicos. Passamos por crises política e econômica, mas nunca desistimos - disse Nuzman.


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A escolha de Paulo Wanderley Teixeira como vice foi baseado nos resultados do judô. O dirigente deixa a confederação no fim do ano e é apontado como sucessor de Nuzman em 2020, já que pela lei 9.613 de 2013 um dirigente de entidade que receba dinheiro público só tem direito a uma reeleição. Nuzman também terá que se afastar nestes últimos meses do ano para fechar a prestação de contas do Comitê Rio 2016.
- Paulo Vanderlei transformou o judô em um dos maiores ganhadores de títulos e medalhas olímpicas. Ele fez um trabalho excelente. Ele foi escolhido no ano passado, quando André Richer (ex-vice) disse que sairia. Queríamos um companheiro de um nível muito forte no comando de sua confederação e com resultados. Eu sempre fui um defensor de resultados - disse o presidente do COB, que não confirmou se vai tentar a presidência da Odepa, Organização Desportiva Panamericana.
Uma das grandes dificuldades para o próximo ciclo olímpico será a redução dos recursos das estatais nas confederações. Os contratos dos patrocinadores do COB terminam no fim do ano. Apesar das perspectivas pouco otimistas por conta da crise econômica no país, Nuzmam mostra confiança.
- Se tiver que ter acho que a luta por recursos é obrigação nossa, com dificuldades ou não. Cada confederação tem um projeto. O COB também. Estamos vivendo no Brasil uma situação diferente. Vamos ter que procurar transformar a forma de como está sendo feita. Muitos patrocinadores vieram só para a Olimpíada. Acho que tem um cenário muito própício para que os patrocinadores virem. Vamos preparar um projeto. Acho que tem perspectiva para os atuais ficarem. O resultado para eles foi muito bom. Agora o patrocinador pode escolher o esporte. Isso pode ajudar. Antes tinha um pacote.
Diferente da Olimpíada do Rio, quando o objetivo era o top 10, Nuzman diz que é cedo para projeções. Isso ficará com o novo diretor-executivo de esportes, Agberto Guimarães, confirmado por Nuzman nesta terça-feira. Ele ocupará o lugar de Marcus Vinícius Freire.
Opositor aponta índice inédito de insatisfação
Principal opositor de Nuzman, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), Alaor Azevedo, tratou as ausências dos dois presidentes dos esportes de inverno como propositais. Juntando as abstenções e os votos nulo e contra, ele projeta uma insatisfação inédit em uma eleição do COB.
- Não tenho nada contra o doutor Nuzman, só que as coisas mudam, o tempo passa e o Comitê Olímpico não se renovou. Há necessidade de mudanças tanto na gestão, quanto na transparência. Pela primeira vez tivemos cinco votos ausentes. Alguns não vieram propositalmente e cinco não votaram nulo ou a favor. Mais de 30% mostram a sua insatisfação com o COB. Temos que mudar com participação dos clubes, imprensa, secretarias municipais, que se sentem alijadas do processo - disse Alaor.
O dirigente tentou lançar uma chapa de oposição, mas esbarrou no estatuto do COB que determina a inscrição oito meses antes da eleição da entidade, e com o apoio de dez dirigentes. Azevedo alegou que poderia sofrer represálias ao se opor a Nuzman antes da Olimpíada do Rio. Conseguiu liminar da Justiça para ter o direito de se candidatar, posteriormente cassada pelo chefe do COB.
