Alemães são detidos no DF por injúria racial e assédio após confusão em bar
Estrangeiros foram liberados; denunciado por injúria pagou fiança de R$ 5 mil
Um alemão de 50 anos foi preso por injúria racial por chamar pelo menos dois estudantes de Brasília de "macacos". O caso aconteceu na noite de quinta-feira (22) em um bar frequentado por universitários na Asa Norte. Ele foi liberado no dia seguinte após pagar fiança de R$ 5 mil. Um amigo do estrangeiro, outro alemão, também foi levado à delegacia depois de ser denunciado por assédio. O G1 não conseguiu contato com a dupla nem com a Embaixada da Alemanha.
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Segundo a vítima, Sarah Antunes, a situação começou depois que um deles passou a mão nas nádegas dela.
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"Eu estava me despedindo de uns amigos na mesa e senti como se fosse um esbarrão. OIhei para trás para ver o que era, e ele disse: "Desculpe, mas não tenho escolha?", relata.
Sarah afirma que um amigo dela chegou a defendê-la, mas que o homem, de 47 anos, se justificou dizendo que "o que era bonito tinha de se pegar mesmo". A aluna de artes cênicas então derramou cerveja no estrangeiro, o que ele revidou depois.


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De acordo com a jovem, os dois estavam visivelmente bêbados. "Fiquei indignada com a situação, ainda mais porque ele sempre continuava debochando. Então, eu e meu amigo fomos falar com o dono do bar e o amigo dele [o alemão de 50 anos] veio pedir desculpa. Eu disse que eles só não deveriam mais fazer isso com nenhuma outra mulher."
"Foi nessa hora que ele falou que eu não tinha que vir falar o que eles tinham que fazer. Ele colocou a mão no braço e disse para meu amigo: ?Eu sou europeu e você é um macaco?. A mesa inteira se sentiu ofendida", relembra a jovem, de 23 anos. Pouco depois, a polícia chegou e deteve os alemães.
No carro da corporação, os dois continuaram xingando brasileiros, conta Sarah. Segundo ela, além do amigo dela, outro estudante também foi chamado de "macaco". Em um momento de confusão, a PM chegou a disparar spray de pimenta, relata.
Os alemães, as três vítimas e mais cerca de dez testemunhas foram levados à delegacia. Como importunação ofensiva ao pudor não é passível de prisão, o alemão de 47 anos foi liberado. Em depoimento, testemunhas também relataram que o estrangeiro investigado pelos ataques raciais também fez referência ao nazismo. "Eu não sou nazi, mas tenho amigos que são e podem procurar vocês", reporta o boletim de ocorrência.
"Nunca fui tratada desse jeito antes. Claro que existem os machismos diários, de dizer que foi sem querer. Mas dessa vez, eles sempre agiram achando que estavam certos. Foi algo relativamente pequeno que desencadeou algo grande, mas o fato é que a gente sempre espera o pior para poder reclamar", continua Sarah. "Não foram desrespeitosos só comigo. Foram também com o país. Como podem chegar aqui e fazer uma coisa dessas?"
Amigo de Sarah e testemunha do caso, o estudante Pedro Henrique Santos conta que os alemães seguiram rindo da história até chegar na delegacia. "Eles ficaram debochando o tempo todo, causando um verdadeiro transtorno. É difícil, ainda nos dias de hoje, estarem em outro país e não respeitarem a lei, e ainda quererem assediar as mulheres brasileiras. Ainda se sentem superiores por serem europeus e brancos."
As vítimas e as testemunhas só deixaram a delegacia por volta das 5h da sexta-feira (23). Mesmo liberados, os alemães se comprometeram a comparecer à Justiça. Segundo a Polícia Civil, a embaixada do país foi comunicada da prisão.
