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Incentivo da avó, testes na pista e na água: os passos de Alana até a prata

Aos 21 anos, judoca sobe ao pódio nos Jogos do Rio após ter abandonado os tatames e depois de um ano e meio no esporte paralímpico

À medida que a visão se perdia, Alana Maldonado se afastava dos tatames. Com a doença de Stargardt, que causa a perda progressiva do sentido, preferiu se dedicar ao mundo acadêmico e investiu no curso de Educação Física. Foi a faculdade, porém, que a fez reencontrar o judô. Incentivada por alguns professores, procurou o esporte paralímpico. Tentou o atletismo e a natação. Mas faltava talento. Ao redescobrir o esporte que conheceu através da avó Marlene, aos quatro anos, Alana deixou tudo de lado mais uma vez. Deu certo. Menos de dois anos depois, a judoca subiu ao pódio para conquistar a prata na categoria até 70kg, sua primeira em Jogos Paralímpicos.

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Alana era uma criança de apenas quatro anos quando foi à academia na qual sua avó trabalhava. Descobriu nos tatames um caminho a seguir. Na adolescência, porém, o diagnóstico de doença de Stargardt aos 14 anos a afastou do esporte aos poucos. Quando já descartava o judô, tentou mais uma vez.

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- Eu comecei no judô com 4 anos. Ela trabalhava na academia, me levou para lá. Depois, eu não conhecia o judô paraolímpico. Fui conhecer na faculdade. Alguns professores me apresentaram a modalidade. Eles também não conheciam o judô paraolímpico, só atletismo e natação. Cheguei a fazer alguns testes para ver se me encaixava, mas não deu muito certo, não. Tentei fazer um teste, mas não rolou. Depois, fui atrás, soube que tinha judô para quem tinha deficiência. A minha associação organizou tudo. Participei do meu primeiro campeonato em Campo Grande, no final de 2014. Um mês depois, veio minha convocação para a seleção ? disse a judoca, de 21 anos, que vive em Tupã, cidade do interior de São Paulo.

- Quando chegou na época da faculdade, escolhi seguir outro caminho porque vi que o judô não ia me dar uma renda. Eu não ia chegar tão longe. Então, decidi parar. Eu treinava muito pouco. Decidi fazer faculdade, mas logo depois resolvi parar com tudo. Foi uma reviravolta muito grande - explicou.

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No Pan de Toronto, sua primeira grande competição com a seleção brasileira, Alana ficou com a prata. Perdeu a final para a mexicana Lenia Alvarez, também responsável por sua queda na decisão no Rio. Ao deixar o tatame, não escondeu a frustração. Só foi sorrir após ouvir as palavras de Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

- É fantástico. Com 21 anos, apenas um ano e meio de seleção, fazendo uma final paralímpica. Claro que sonhei muito com o ouro, é o sonho de qualquer atleta. Eu treinei muito para isso, renunciei muita coisa na minha vida. Eu me dediquei 100% nos treinos. Estou muito feliz com a prata (embarga o choro). Eu vou treinar muito, vou continuar treinando. Sei que, se Deus me permitir, vou ter mais algumas Paralimpíadas para disputar. Eu sou muito feliz e grata à minha família e a essa torcida maravilhosa. Foi muito emocionante o que ele falou. Não sei se vocês perceberam, mas logo depois abri um sorriso. Ele me disse que sentia muito orgulho, que eu já era uma vencedora. Realmente. É uma final paralímpica, me sinto vendedora. Ali, nos primeiros segundos, demorou a cair a ficha que tinha acabado o sonho da minha medalha de ouro. Mas eu levantei, olhei a torcida maravilhosa e veio a felicidade. Torcida fantástica. Não tem sensação melhor, todo mundo gritando meu nome - afirmou.

Os passos de Alana são acompanhados de perto por D. Marlene. Ela estava bem perto do tatame quando a neta conquistou a prata. A cor da medalha, no entanto, é outra para uma avó cheia de orgulho.

- É uma medalha que vale ouro. Ela adora o judô desde pequena, a família toda gosta de judô. Só o pai escapou. Ela sempre me agradece muito. Sei que vai continuar lutando ? disse D. Marlene, que mora em Santa Catarina.

Após a conquista, Alana sabe bem o seu destino: a judoca quer o calor de uma praia para relaxar.

- Eu vou tirar férias, descansar um pouco. Quero ir para a praia. Mas já vou voltar aos treinos. Tóquio, quatro anos, mas passa muito rápido. Jeito é não deixar cair.

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