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Shirlene Coelho sobra muito desde o 1º lançamento e é bicampeã no dardo

Brasileira vence ao cravar 37,57m na terceira tentativa no Engenhão neste sábado

Carregar a bandeira do Brasil na abertura havia dado um gostinho do que estava por vir. Porta-bandeira eleita pelos colegas de delegação, Shirlene Coelho era favorita absoluta ao ouro no lançamento de dardo da classe T37, para atletas com paralisia cerebral. Não desapontou. Liderou com muita folga desde o primeiro lançamento. Ela, que entrou no esporte sem querer, ao procurar emprego para trabalhar como ajudante de serviços gerais, cravou 37,57m no gramado do Engenhão e sagrou-se bicampeã paralímpica. O pódio teve ainda duas chinesas. Na Mi foi prata com 30,18m, melhor marca da carreira, Qianqian Jia levou o bronze com 29,47m.

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- É muita felicidade, inexplicável. Pela segunda vez, em Paralimpíadas, é maravilhoso. Se faz diferença ser no Rio? Ô, se faz. Com esse estádio lotado, gritando meu nome. Sou Shirlene Coelho, conhecida pelo público. Carregar a bandeira já tinha me emocionado, nunca uma mulher tinha carregado na abertura. A Paralimpíada está perfeita.

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Esta é a terceira medalha de da goiana nos Jogos. Além do ouro em Londres 2012, conquistado com direito a quebra de recorde mundial (37,86m), ela também tinha uma prata de Pequim 2008. Na Rio 2016, ela compete ainda outras duas vezes, no arremesso de peso e no lançamento de disco.

Shirlene chegou à Paralimpíada como líder do ranking mundial, com 36,96m. No Rio, o favoritismo se confirmou tentativa após tentativa. Na primeira, fez 35,55m. Depois, passou da casa dos 37 metros em todos os lançamentos. O melhor deles foi o terceiro, cravado em 37,57m. Mas qualquer uma das cinco marcas válidas alcançadas por ela na prova - mesmo a mais baixa, 32,73m - seria suficiente para garantir o ouro.

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- Eu treinei muito. Não sei como elas treinaram, mas eu sei o quanto treinei para estar bem aqui.

Quando a chinesa Na Mi queimou a última tentativa, foi difícil para Shirlene segurar o riso. Tentou se concentrar e não abriu mão de lançar o dardo. A marca não foi validada, mas pouco importava. O título já era dela desde a primeira rodada.

Shirlene entrou no esporte ao buscar vaga de ajudante de serviços gerais

A brasileira possui limitações de movimento no lado esquerdo do corpo devido à hemiplegia congênita. A lesão, no entanto, nunca a impediu de praticar esportes desde a primeira infância. O favorito era o futebol, e Shirlene jogava como zagueira em sua equipe em Samambaia, região administrativa do Distrito Federal.

Apesar do prazer que sentia em praticar atividades físicas, sobretudo com a bola nos pés, Shirlene não se imaginava como atleta de alto rendimento. Na vida adulta, entrou no mercado de trabalho como ajudante de serviços gerais. E foi procurando emprego nesta área que recebeu a oportunidade para tentar a vida através do esporte.

A Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetef) estava recrutando pessoas com deficiência para novas vagas de funcionário. Shirlene levou o currículo e recebeu o convite para jogar basquete em cadeira de rodas. Ela, que jogara a versão em pé durante a adolescência, não se adaptou. Acabou migrando para o atletismo, onde descobriu um talento nato.

- Não fui eu que encontrei o esporte paralímpico. Foi ele que me encontrou, me abraçou e não me largou.

Foram apenas três treinos no lançamento do disco até a primeira competição, onde disputou também arremesso do peso e lançamento do dardo. Nesta última prova, mesmo sendo sua primeira experiência, quebrou o recorde brasileiro vigente à época. Não parou mais e trabalhou para que esta fosse sua especialidade. Foi campeã parapan-americana no ano seguinte, e em 2008, foi pela primeira vez ao pódio em uma Paralimpíada. Em Londres 2012 e na noite deste sábado, na Rio 2016, subiu no degrau mais alto com o ouro pendurado no peito.

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