Em decisões para soltar presos, juiz federal de BH protesta contra 'golpe'
Carlos Alberto de Tomaz não quis comentar o conteúdo dos documentos
Em ao menos duas decisões que determinaram a soltura de presos, um juiz federal de Belo Horizonte deixou clara sua posição contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT), que classificou como "golpe". Os documentos contendo o mesmo texto de protesto foram assinados pelo magistrado Carlos Alberto Simões de Tomaz, durante o plantão de 27 de agosto, quatro dias antes de afastamento definitivo de Dilma aprovado pelo Senado.
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"Efetivamente, o custodiado está a ganhar o pão, enquanto os bandidos deste País, que deveriam estar presos, estão soltos dando golpe na Democracia", disse o juiz da 17ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte nas duas argumentações.
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As decisões se referem ao caso de dois homens detidos por suspeita de contrabando e descaminho. De acordo com a Polícia Militar (PM), eles foram flagrados vendendo cigarros irregularmente, em uma operação em um shopping popular da capital mineira, realizada no dia 26 de agosto. Com os homens, além de cigarros, a PM apreendeu mais de R$ 3 mil. As ocorrências foram encerradas pela Polícia Federal (PF).
O G1 tentou contato com o magistrado, por meio da assessoria da Justiça Federal, mas ele preferiu não comentar o conteúdo da decisão.


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Para o secretário-geral Associação dos Juízes Federais de Minas Gerais (Ajufemg), o magistrado Alexandre Ferreira Infante Vieira, o protesto de Tomaz não pode ser tratado como infração disciplinar. Segundo ele, a entidade não pode comentar sobre o conteúdo de decisão de juízes.
Vieira ressalta que os documentos refletem a opinião daquele juiz específico e não da totalidade dos juízes federais. Ele diz que entende que não cabe punição ao colega, mas ressalta que as partes podem recorrer contra as decisões.
Os presos estavam detidos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), eles receberam alvará de soltura no dia 28 de agosto.
