Ibama culpa usina de Xingó por drásticos impactos ambientais no Velho Chico
Documento foi encaminhado à Agência Nacional de Águas e tem como base estudos da Ufal e da UFS
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu, em nota técnica, um posicionamento quanto aos impactos ambientais decorrentes da redução de vazão do São Francisco. No documento, encaminhado à Agência Nacional de Águas (ANA), o órgão diz nunca houve redução como a registrada em 2015 e 2016.
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Segundo o Ibama, a crise de redução da vazão hídrica no manancial está presente há pelo menos duas décadas. O texto aponta a existência de estudos das Universidades Federais de Alagoas (Ufal) e de Sergipe (UFS) que demonstram a percepção da população ribeirinha e dos pescadores da região quanto à diminuição do nível do rio.
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O documento aponta ainda que a principal responsável pela situação é a usina hidrelétrica de Xingó, instalada entre os dois estados. A regional do Ibama em Sergipe confirma que vem atendendo aos pedidos da Diretoria de Licenciamento Ambiental do próprio órgão, em Brasília, para a realização de vistorias constantes a fim de embasar os posicionamentos frente ao setor elétrico, que solicita redução da vazão desde 2013.
Além da ANA, a nota técnica foi encaminhada ainda ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e a vários outros órgãos e atesta os sérios impactos ambientais provocados pela redução de vazão recorrente na defluência do Velho Chico.


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"A cada nova redução os aspectos e impactos ambientais vêm se agravando, conforme vem sendo sistematicamente relatado nos documentos técnicos emitidos pela equipe de analistas ambientais da Superintendência de Sergipe", afirma o documento assinado por dois analistas ambientais do órgão.
O setor elétrico havia anunciado a disponibilidade de solicitar a redução da vazão do rio do nível atual, de 800 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 700 m³/s. A emissão da nota técnica impediu uma tomada de decisão na última reunião promovida pela ANA, na segunda-feira (22), em Brasília. O assunto será pauta de novo encontro no próximo dia 29.
