Brasil fecha estreia em Olimpíadas com derrota no polo aquático para a China
Jogadoras choram após o última partida do torneio feminino, e técnico se mostra preocupado quanto ao futuro do polo aquático brasileiro
Contra seu adversário mais equivalente em termos técnicos e de experiência, o time feminino de polo aquático do Brasil tinha a chance de se despedir da Olimpíada com vitória. Mas a equipe comandada pelo técnico canadense Patrick Oaten não conseguiu passar pela China e, com uma derrota por 10 a 5, na manhã desta sexta-feira, encerrou em oitavo lugar sua primeira participação na história dos Jogos. Foram oito as seleções participantes do torneio. No entanto, as lágrimas das jogadoras e até do treinador após a partida nada tiveram a ver com o resultado, mas principalmente com a incerteza do futuro.
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- É difícil porque nesses dois anos de trabalho essas meninas me abraçaram e nunca me abandonaram. Elas precisavam de mais jogos e mais experiência, mas nunca pararam de trabalhar. Sei o quanto de trabalho foi feito sem as melhores condições. Por isso essa emoção. Minha permanência vai depender da confederação, e eu estou aberto às conversas, mas ainda não aconteceu. Eles dizem que estão felizes com a evolução, mas fica a cargo deles a decisão - disse Oaten.
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Uma das mais emocionadas era Izabella Chiappini. Autora de três gols na partida, a melhor jogadora do Brasil começou a chorar ainda na piscina. Aos 20 anos ela sabe que terá outras Olimpíadas pela frente, mas se emocionou ao ver o fim de uma geração com renovação incerta.
- Estou muito feliz e triste ao mesmo tempo, porque muitas jogadoras do nosso time vão parar, e não vai ser mais a mesma família que treinou para estar aqui. É a felicidade de realizar um sonho e a tristeza de que agora acabou. Depois de participar de uma Olimpíada eu quero estar em todas até ficar velha e não aguentar mais.


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Patrick Oaten se disse satisfeito com o desempenho da seleção brasileira - apesar de ter perdido todos os cinco jogos -, mas disse que sua principal preocupação é com o futuro do polo aquático brasileiro como um todo.
- A Olimpíada fez muito pelo polo aquático do Brasil, a experiência foi fantástica. É um esporte no qual o Brasil pode ser muito bom pela criatividade das jogadoras. Deveria haver um investimento maior. Fico preocupado com o futuro desse esporte. Não deveria, porque o talento aqui é grande, mas estou preocupado.
No processo de renovação do polo aquático do Brasil pode estar o técnico da China. O brasileiro Ricardo Azevedo, que encerrou sua sétima Olimpíada, incluindo as disputadas como treinador, desconversou quando perguntado se já havia conversas com a Confederação Brasileira.
- Pode ser que sim. Estou há muitos anos nos Estados Unidos e trabalhei também na Europa e na Ásia, mas sou brasileiro. Seria ótimo voltar para o Brasil, ficar perto da minha família e ajudar o esporte a se desenvolver.
Ainda nesta sexta será formado o pódio do polo aquático feminino da Olimpíada. Estados Unidos e Itália decidem a medalha de ouro às 15h30 (de Brasília), e Hungria e Rússia brigam pelo bronze a partir das 11h20. O quinto lugar sairá do vencedor de Espanha e Austrália.
Como foi o jogo da despedida
Assim como ocorreu em todo o torneio, o Brasil fez um primeiro quarto disputado, mas dessa vez deixou muito a desejar no aspecto defensivo. Isso fez com que a China se mantivesse sempre perto do placar até passar a frente no segundo período. A primeira metade da partida chegou com as chinesas vencendo por 4 a 2 e tendo chances de ampliar a vantagem, mas a goleira Victoria Chamorro esteve bem. Do outro lado, as brasileiras eram imprecisas nos arremessos a gol e tinham dificuldades para acompanhar na marcação.
