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Micale complica tradutora e brinca sobre medalha: "Vou mandar fazer"

Bem-humorado, treinador, que não é premiado de acordo com regras do COI, afirma que vai dar um jeito de conseguir medalha: "É um símbolo muito import

A dois dias da decisão da medalha de ouro contra a Alemanha, o técnico da seleção olímpica brasileira, Rogério Micale, está leve. Na entrevista coletiva concedida na noite desta quinta-feira, no Maracanã, o treinador brincou com o atraso de oito minutos, ironizou as próprias longas respostas - sofrimento para a tradutora - e afirmou que vai mandar fazer uma medalha para ele. Afinal, pelas regras do Comitê Olímpico Internacional, apenas os jogadores são premiados.

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- Eu vou dar um jeito de arrumar uma medalha pra mim, nem que eu mande fazer. É um símbolo muito importante, queremos participar, gostaríamos muito até de ter direto. Há essa situação na Olimpíada, mas acredito que a CBF fará uma réplica para levarmos. É um símbolo de uma conquista, todo atleta ou comissão técnica tem orgulho já de estar aqui, mas ser medalhista é uma grande honra - disse Micale.

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Antes, o treinador brincou com o fato de a seleção olímpica estar hospedada num hotel bem distante do Maracanã - a delegação está no Recreio, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

- Peço desculpas pelo atraso. Estamos quase na divisa com Minas Gerais.

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Ao se alongar numa resposta sobre imediatismo no futebol brasileiro, em que citou o exemplo da Alemanha, o treinador arrancou risos ao pedir desculpas à tradutora, que teve dificuldades para conseguir lembrar tudo. Por causa disso, o protocolo do COI foi alterado, e os jornalistas estrangeiros presentes na sala passaram a receber respostas simultaneamente para agilizar a conversa.

- Aqui é um bate-papo. Parece que estou tomando café com vocês. Eu falei tudo isso aí mesmo? - justificou o treinador.

A coletiva de Micale também teve espaço para análises e palavras mais sérias. O técnico disse que o modelo de jogo da Alemanha é o mesmo da seleção principal e garantiu que o Brasil estará bem preparado emocionalmente para a partida de sábado.

Confira a íntegra:

Modelo de jogo da Alemanha olímpica

Em relação à equipe da Alemanha, conhecemos não por essa equipe, mas pelo modelo de jogo, que é adotado em todas as categorias, desde as iniciais até a equipe principal. Modelo que procura ter o domínio com a posse de bola, um jogo apoiado, onde eles mesmos chamam da zona vermelha uma coisa que também estamos tentando implantar, em que os três homens da frente afunilam o jogo por dentro da linha da grande área, dando espaço para a passagem dos dois laterais, gerando amplitude, e aí buscam infiltrações ou superioridade numérica pelos lados do campo. Jogo muito perigoso, estão acostumados a fazer desde as categorias inferiores e nós temos que ter muita atenção nessa forma de marcar para poder contrapor essa grande virtude.

Resgate do futebol brasileiro

Pode ser pretensão minha, mas desde a seleção sub-20 tive como meta tentar extrair o que temos de mais qualidade na característica dos nossos jogadores. Foi assim no Mundial sub-20, onde perdemos a final, mas tentamos impor nosso jogo. Agora estamos repetindo isso. Podemos extrair muito do que o futebol no mundo nos tem mostrado: organização, compactação, amplitude, jogo apoiado. O mundo está fazendo e é necessário, precisamos trazer para nosso futebol sem abandonar nossa essência. É um dos poucos lugares do mundo que tem jogadores que desequilibram em momentos difíceis. Os grandes clubes do mundo têm jogadores sul-americanos, o trio de ataque do Barcelona é todo assim. Nós desvalorizamos nosso futebol, denegrimos de uma forma injusta, pelo que produzimos. É evidente que precisa de organização, entender os momentos do jogo. Mas acho que temos condição de praticar um futebol competitivo, mas que demonstre potencial de uma forma organizada. Nós somos impacientes, queremos começar do zero no primeiro momento em que a coisa não funciona. Vamos buscar um vilão, um culpado, e ficamos patinando nesse processo. O técnico da Alemanha está há 3 anos. Essa geração da Alemanha manteve a mesma metodologia desde as categorias inferiores, os treinadores acompanham os passos para que o jogador chegue maturado à equipe principal. Nós queremos os seis meses finais da Alemanha, não passar pelos 12 anos que eles passaram, mas ainda acredito no nosso futebol.

Pós-Olimpíada

Essa juventude que temos hoje na olímpica, não podemos pensar neles só para a medalha de ouro, é o futuro da seleção principal do Brasil. E eles já vão adquirir mais rodagem, passar por um momento especial na carreira, chegarão mais preparados. Fizemos seis jogos, é um número pequeno dentro do processo que queremos do futuro do futebol brasileiro. O que vamos fazer com esses jogadores que não serão chamados para a seleção principal? Eles nunca mais vão vestir a camisa da seleção? E depois no futuro eles voltam? Essa lacuna entre o sub-20 e a seleção principal. Não é o caso de pensar em algo para deixá-los sempre preparados?

Lembrança do 7 a 1

Estaremos mais fortes emocionalmente no sábado. Passamos por tudo. Tivemos questionamentos, vivemos um novo momento, e agora pegamos uma equipe muito boa, que nos remete a uma história recente, mas não temos nada a ver com isso. Vamos viver nossa história, fazer o nosso momento. Era Copa do Mundo, aqui é seleção olímpica. Só existia um jogador nas duas seleções que estava lá, porque o Neymar não participou. Nada pode ser palpável nessa situação, são competições, jogos, idades diferentes. Não vejo como vincular. O torcedor está no papel dele, vamos precisar muito dele no sábado. Alemanha é muito forte, não chegou à toa à final, sabemos da evolução deles. Se o torcedor estiver conosco, estaremos muito mais fortes. Nós, que trabalhamos no jogo, não temos como vincular com o que passou. Será um grande jogo.

Ajustes na equipe

Tem muito a acrescentar à equipe. É um processo evolutivo, se ela se demonstrou forte nesse torneio, pode se tornar muito mais forte no futuro, com uma melhor bola parada, novas possibilidades, melhor saída de bola, jogo que possa variar o sistema. Hoje podemos sair com linha de 4, podemos sair com linha de 3. Uma equipe nunca estará pronta, e quanto mais tempo junto, mais bem preparada.

Relação com jogadores

Eu tenho uma filha da idade do Neymar. Eu me identifico muito com eles, todos os jogadores são muito do bem, não tenho uma vírgula para falar. Aprendemos a admirá-los, eles são jovens, esse mundo oferece muitas vantagens, mas tem que atender a expectativa de um monte de gente, e quando não consegue é muito pesada a carga. São jovens de 18, 19, 20 anos, num processo de amadurecimento.

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