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'Nunca tive paz', diz mulher agredida e perseguida pelo ex durante 22 anos

Vítima diz que filhos têm problemas de comportamento por conta da situação

Mesmo separada oficialmente do ex-marido há mais de quatro anos, a assistente social *Mirna Oliveira, 42 anos, e os dois filhos ainda vivem um drama. A rotina de ameaças que aconteceu durante todo o casamento, continua. O resultado de 22 anos de violência, perseguição e sofrimento, a mulher resume em três fatos: um filho esquizofrênico, uma filha depressiva e uma vida sem paz.

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O G1 entrevistou a assistente social e o nome marcado por asterisco foi usado para preservar a sua identidade.

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"Nunca tive paz e minha vida é uma turbulência. Não consigo trabalhar nem viver direito porque a perseguição é muito grande. Já estamos há quatro anos separados, achava que estaria livre dele e desde então ele me persegue. Aos filhos nunca deu assistência e nunca foi um pai de verdade. Eu simplesmente estou esperando a morte chegar", disse.

Após a separação e mesmo casado com outra mulher, o homem continua a cercar a casa onde a ex-mulher mora com os filhos. São gritos, xingamentos e intimidações. Segundo a vítima, os vizinhos são testemunhas de tudo que acontece, mas ninguém teve coragem até hoje de fazer alguma denúncia ou tentar defendê-la. Vários foram os episódios em que o agressor chegou a entrar na casa de Mirna e destruir vários móveis. Os motivos de tanta perseguição? Ela desconhece.

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"Eu não consigo entender porque ele não nos deixa levar nossa vida em paz. Nunca foi pai, nunca foi esposo. Para ter uma vida de verdade, um dia enfrentei o medo e me separei, porque vivíamos em ameaça. Ele passa na porta de casa e grita, às vezes bêbado. Já chegou a passar por diversas vezes com uma arma e ameaçar a gente. Estamos presos dentro de casa", disse.

Os gastos com remédios para os filhos chegam a passar dos R$ 1.200 por mês. Estudante de direito, o filho de 24 anos foi diagnosticado com esquizofrenia. Por conta disso, deixou de ir ao trabalho. Na faculdade, o rendimento caiu.

Com depressão, a filha de Mirna, de 23 anos, também é estudante universitária e pressionada pelo próprio pai, também teve problemas com os estudos e trancou a faculdade. Para ela, a figura protetiva de pai nunca existiu.

"Meu pai sempre foi a minha mãe. Um pai de verdade eu nunca tive. Ele nunca se importou em levar a gente para um lazer, diversão. E nas vezes que isso acontecia, ele bebia muito e chegava a quebrar as coisas. Até hoje nós sofremos com as marcas psicológicas que ele deixou. Meu irmão e eu fomos ao nosso limite. A gente não vê mais motivo para continuar estudando e ser feliz", disse.

Investigações sobre o caso

O G1 procurou a Delegacia da Mulher do bairro Dirceu Arcoverde, Zona Sudeste da capital e região onde mora Mirna e os filhos. A delegada da especilizada informou que existe uma medida protetiva expedida pela Justiça em favor da família da assistente social. Ela contou também que há um mandado de prisão contra o suspeito já foi expedido, mas que este ainda não foi preso porque a polícia desconhece o seu paradeiro.

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