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Pessoas com elefantíase podem ter o dobro do risco de contrair HIV

Estudo colheu dados de 2006 a 2011, na Tanzânia, país com epidemia. Resultados foram publicadas pela revista inglesa 'The Lancet'.

As pessoas infectadas pelo parasita que causa a elefantíase teriam o dobro do risco de contrair o vírus HVI, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (3) pela revista médica britânica "The Lancet".

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O parasita Wuchereriabancrofti é responsável por 90% dos casos de filariose linfática, conhecida como elefantíase, que deforma os membros e outras partes do corpo. A doença tropical, transmitida por mosquitos, afeta principalmente várias regiões da África, onde os índices de infecção por HIV são altos.

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O parasita, que pode viver no sistema linfático humano durante anos sem provocar sintomas, também é endêmico na Ásia, no Pacífico ocidental e em partes do Caribe e da América do Sul.

"A longa duração da doença causada pela W. bancrofti - cerca de 10 anos - cria uma resposta imune contínua", o que poderia tornar as pessoas mais suscetíveis à infecção pelo HIV, disse Inge Kroidl, especialista em medicina tropical da Universidade de Munique, na Alemanha, e coautor do estudo.

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O estudo foi realizado entre 2006 e 2011 com 2.699 habitantes do bairro Kyela da cidade de Mbeya, no sudeste da Tanzânia.

A filariose linfática afeta uma entre quatro pessoas deste país, e durante muito tempo se suspeitou que era um dos fatores determinantes da epidemia de HIV na África subsaariana.

Os participantes foram examinados anualmente durante cinco anos, e foram recolhidas amostras de sangue, urina, fezes e saliva para fazer testes de HIV e de infecção pelo Wuchereriabancrofti.

Também foram feitas entrevistas para determinar se a atividade sexual dos participantes podia ter aumentado seu risco de contrair o HIV.

Os cientistas constataram que as pessoas portadoras do parasita tinham o dobro de possibilidades de ter também o vírus da aids. O impacto era maior entre os adolescentes e os adultos jovens.

Por enquanto, porém, a ligação observada se trata de uma correlação, e não de uma relação de causa e efeito provada, afirmaram os pesquisadores. O estudo evidencia, no entanto, a necessidade de curar a elefantíase.

"Os programas de eliminação da filariose linfática na última década focaram na redução da transmissão, mas fizeram esforços limitados para curar a infecção", afirma Kroidl.

Mais de 120 milhões de pessoas estão infectadas no mundo, principalmente nos países pobres da África e da Ásia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Atualmente, a prevenção se baseia no uso de redes de proteção contra mosquitos e outros métodos repelentes.

Em um comentário na "The Lancet", Jennifer Downs e Daniel Fitzgerald, da Universidade Cornell, em Nova York, ressaltaram a urgência de se realizar outros estudos para confirmar os resultados e avaliar o efeito do tratamento da elefantíase na incidência de infecção pelo HIV nas comunidades afetadas.

A filariose linfática é classificada pela OMS como uma das cerca de 20 "doenças tropicais negligenciadas" que afetam coletivamente mais de um bilhão de pessoas nos países em desenvolvimento.

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