Morten, sobre estreia contra Noruega: "Se perder, tem que engolir e seguir"
Treinador da seleção feminina de handebol lembra que rivais ganharam "tudo" perdendo sempre a primeira partida
Bicampeãs olímpicas, campeãs mundiais em 2011 e 2015, as norueguesas chegam ao Rio cheias de favoritismo. As três campanhas vitoriosas, contudo, não começaram com um triunfo. Em São Paulo, cinco anos atrás, a caminhada contou com uma derrota para a Alemanha por 31 a 28. Na Olimpíada londrina, o revés foi para a França, por 24 a 23. E no ano passado, na Dinamarca, a queda aconteceu diante da Rússia, por 26 a 25. Após os "tropeços" nas estreias, as europeias embalaram e acabaram com o ouro em todas essas disputas. Os números das rivais da seleção brasileira feminina no primeiro jogo do handebol na Rio 2016 servem para que o técnico Morten Soubak trabalhe a cabeça do grupo, pronto mentalmente para uma possível derrota logo de cara, dentro de casa e com o ginásio lotado de torcedores.
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- Não temos que pensar que é impossível perder. Não seríamos o primeiro nem o último time a perder da Noruega. Mas, claro, não estamos trabalhando pensando nisso. Vamos fazer tudo para tentar ganhar na estreia. Mas, se acontecer, se perder de um ou de dez gols não faz a menor diferença. Estará zero na conta. Temos que levantar logo e preparar o próximo jogo. O que importa é entrar entre os quatro primeiros. Esse deve ser o foco. Temos que engolir e preparar o próximo jogo se acontecer. O bom da Olimpíada é que é diferente do Mundial. Na Olimpíada você tem um dia de descanso entre um jogo e outro, para recuperar, pensar e preparar para o próximo. Nesse sentido, é um lado positivo - explicou Soubak durante o último treino das meninas aberto à mídia antes da estreia.
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A atividade aconteceu na Arena do Futuro, completamente montada e entregue para os Jogos. Capitã da equipe, a pivô Dara também acredita que o grupo está pronto para a pressão de jogar dentro de casa, com a casa cheia.
- Estamos preparadas para isso. O Morten, a comissão técnica e a psicóloga preparam isso desde que foi anunciado que a Olimpíada seria no Rio. Dentro de nós, já nos acostumamos com essa ideia e estaremos bem focadas dentro das quatro linhas. Acredito que não vamos ter nenhum problema. É muito tempo trabalhando na mesma tecla: "Imagina, dia tal de agosto, a arena lotada...". Então, já está tudo mentalizado e pronto - garante a capitã da seleção.


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Atenção nos minutos finais
Em Londres 2012, a seleção brasileira foi eliminada nas quartas de final para a própria Noruega, por 21 a 19. Na primeira etapa, o Brasil venceu por 13 a 9 e comandou as ações. Parecia que o duelo estava controlado, mas a perda de foco na segunda etapa e nos minutos finais custaram caro, e com 12 a 6 as norueguesas viraram e avançaram. Dali em diante, a seleção passou a trabalhar melhor essa questão e provou isso no último Mundial, na Dinamarca.
Contra a Coreia do Sul e contra a França, ambos jogos pela primeira fase, o Brasil resolveu os jogos nos segundos finais. Diante das asiáticas, buscou um empate no estouro do relógio. Contra as francesas, venceu com um gol da capitã Dara do meio da quadra, no segundo final. Na Olimpíada, Morten acredita que o time estará preparado para a situação novamente.
- Nós temos um grupo que já fez muitos jogos importantes internacionais, em seus clubes na Europa. Na seleção também temos jogos decididos nos últimos minutos. Não posso falar que isso está extremamente trabalhado. Mas nos focamos em como trabalhar nesses minutos e, claro, no que não fazer nesses minutos. Não tem um livro que fala exatamente o que é certo e errado, mas seguimos algumas ideias, e acredito que estamos conseguindo grandes feitos fazendo isso.
