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Fisioterapeuta revela luta invisível de Mineirinho para tratar lesão na coluna

Atual campeão mundial se machucou em uma vaca nas ondas pesadas de Fiji e guardou em segredo a batalha para se recuperar a tempo da estreia em J-Bay

Atual campeão mundial, Adriano de Souza é uma das maiores esperanças do Brasil nas longas direitas de Jefferys Bay, na África do Sul, palco da sexta etapa do Circuito Mundial de 2016. Único brasileiro a vencer no local, ele conhece como poucos o caminho das pedras, porém, tem enfrentado uma batalha invisível para tratar uma lesão na coluna e se recuperar a tempo da estreia. Mineirinho se machucou em uma vaca nas ondas pesadas de Fiji e viajou com antecedência à J-Bay, na companhia do fisioterapeuta Alison Leff Paz. O surfista tem feito um trabalho minucioso há uma semana para estar apto a competir e está quase 100%. Há quatro anos, ele colocou o país no topo do pódio em J-Bay ao conquistar o título de um evento 6 estrelas pelo QS, a divisão de acesso. No ano passado, pela elite, só parou nas quartas de final diante de Julian Wilson, finalista da etapa, encerrada sem vencedores devido ao ataque de tubarão à Mick Fanning na final.

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Na estreia, Mineirinho terá pela frente os australianos Josh Kerr e Kai Otton, na quarta bateria da primeira fase. A janela do campeonato começa nesta quarta-feira e vai até o dia 17 de julho. Adriano sofreu uma disfunção em três vértebras da cervical e torácica, o que provocou uma compressão nervosa, com dores e diminuição nos movimentos da coluna. Ele também teve uma irradiação da dor para o braço direito, contudo, está cada vez mais forte.

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- Em Fiji, as ondas estavam muito grandes e pesadas. Ele ficou três semanas remando bastante no mar grande, o corpo já estava bem cansado e ele sofreu uma vaca, o que provocou esta disfunção, quando as vértebras rodam e perdem o eixo de movimento. Estas rotações geram uma hipomobilidade, que gera uma compressão em algumas raízes nervosas. Pelo excesso de surfe lá e por conta da vaca, ele ficou bem machucado, com uma irradiação para o braço direito, que ele não estava conseguindo levantar. Quando as raízes nervosas são comprimidas, há a perda de movimento, força e até sensibilidade em alguns casos. Mas ele está praticamente 100% e vai competir bem. E J-Bay é um lugar que ele costuma se dar bem - disse Alison Paz.

O fisioterapeuta realizou primeiramente uma terapia manual para recuperar os movimentos e amenizar as dores do surfista. Três dias depois, eles iniciaram um processo de estabilização, com diferentes técnicas para recuperar a mobilidade. Logo que chegou à Jeffreys, Mineirinho foi recebido por um swell poderoso, com ondas até 3m, o que facilitou a sua preparação. Adriano intercalou os treinos na água, em um período de até seis horas por dia, com um trabalho para fortalecer os movimentos e aumentar a flexibilidade do atleta, sob a supervisão de Alison Paz.

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A estratégia ajuda não só na recuperação da lesão, como na preparação para a onda, uma longa direita, que exige um trabalho forte de pernas. Quanto maior o número de manobras, com velocidade para conectar nas diversas seções, maior será a pontuação de cada competidor.

- Chegamos há uma semana na África. Nos três primeiros dias, trabalhamos com osteopatia. Eu manipulei as vértebras e devolvi o movimento. Trabalhei a descompressão e ele melhorou bastante. Pegamos um swell gigante aqui, tinham altas ondas. Ele surfou em torno de seis horas nos dois dias de swell, intercalando o surfe com o trabalho de mobilidade para evitar que as disfunções e as compressões voltem. Isso era algo que o incomodava bastante, pois fazia ele perder a força e o movimento por conta das compressões nervosas. Nos últimos dois dias, quando o mar baixou, trabalhamos outras valências, como estabilizações e ações de abdômen. J-Bay tem como característica a onda longa, que exige muito o trabalho de pernas e da remada. O Adriano está recuperado, bem e surfando. Ele se conecta muito bem nesta onda de J-Bay, e a gente acredita que ele possa atingir um bom resultado aqui - contou o fisioterapeuta.

A etapa de Jeffreys Bay faz parte do calendário do Circuito Mundial deste 1984, quando Mark Occhilupo, na época, com 17 anos, conquistou a sua primeira vitória no Tour. J-Bay só voltou a sediar eventos da ASP em 1993, no WQS, e em 1996, pelo CT, ficando fora em 1997.

O maior vencedor da história pela elite no local é o americano Kelly Slater, com quatro títulos. Em seguida, vem o australiano Mick Fanning, com três vitórias, e os bicampeões Joel Parkinson, Jake Paterson e Jordy Smith. O melhor resultado de um brasileiro nas famosas direitas sul-africanas foi o vice-campeonato de Peterson Rosa, em 2000, no mesmo ano em que Teco Padaratz se classificou para a semifinal - ambos caíram diante de Jake Paterson.

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