Dólar fecha em alta após 3 quedas, com retorno de intervenção do BC
Banco Central não atuava no câmbio desde o dia 18 de maio. Dólar iniciou julho com alta de 0,60%, a R$ 3,2328
O dólar fechou em alta nesta sexta-feira (1º), após ter chegado a cair pela manhã. O dia foi marcado pela volta da interferência do Banco Central no câmbio após mais de um mês sem atuação.
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A moeda subiu 0,60%, a R$ 3,2328 na venda. Na semana, o dólar acumulou alta de 4,34%. No ano, a moeda dos EUA tem desvalorização de 18,11%.
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A intervenção do BC veio um dia após o dólar encostar em R$ 3,20 pela primeira vez em quase um ano na sessão passada.
Banco Central voltou a interver
O BC anunciou leilão de até 10 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares - movimento que tende a elevar a taxa de câmbio. Toda a oferta foi vendida. Foi a primeira operação desse tipo em mais de um mês e também a primeira desde a chegada de Ilan Goldfajn à presidência do BC.


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O BC não fazia leilão de swap reverso desde 18 de maio, segundo a Reuters, o que gerou entre investidores a percepção de que Ilan estaria mais disposto a tolerar cotações mais baixas do que seu antecessor, Alexandre Tombini.
A operação da sessão equivaleu a compra futura de US$ 500 milhões, segundo a Reuters. Com isso, o estoque de swaps tradicionais do BC, que correspondem à venda futura de dólares, cai para o equivalente a cerca de US$ 61,6 bilhões. O estoque girou acima de US$ 100 bilhões ao longo de quase todo o ano passado.
Mercado vê ação discreta
Em entrevista ao G1, o economista e diretor da NGO Sidnei Moura Nehme disse que a ação do BC foi reduzida. "O BC resolveu sair da toca, mas saiu muito discretamente", afirmou.
"Um leilão de swap reverso tem um efeito de compra no mercado e, a rigor, esse tipo de operação impacta elevando a taxa de câmbio. Só que o BC tem um estoque muito grande e está fazendo um valor muito pequeno, acho que mais para dar uma satisfação do que para intervir e mudar a taxa de câmbio", diz Nehme.
À Reuters, operadores disseram que a oferta pequena de contratos levou ao entendimento de que o BC quer apenas moderar o ritmo do recuo da divisa, e não defender algum patamar específico.
"É uma oferta pequena, mas sinaliza que esse dólar em uma só direção incomoda. Acho que o recado do BC é: estou de olho, repensem um pouco esse movimento", disse à agência o operador da corretora Renascença Thiago Castellan Castro.
Ilan Goldfajn, novo presidente do BC, já afirmou que o banco pode usar as ferramentas cambiais "com parcimônia" e reduzir a exposição cambial do BC em momentos considerados adequados.
Segundo a Reuters, nos mercados internacionais o dólar recuava em relação às principais moedas da América Latina ao fim de uma semana marcada por fortes altos e baixos. As preocupações com a opção do Reino Unido por deixar a União Europeia cederam lugar para expectativas de estímulos monetários no resto do mundo para evitar turbulências financeiras.
Os mercados norte-americanos não abrirão na segunda-feira devido ao feriado do Dia da Independência.
Queda de 18% no 1º semestre
A moeda norte-americana vem caindo sobre o real e terminou o primeiro semestre de 2016 em queda de mais de 18%. Segundo Sidnei Moura Nehme, "o dólar não tem razões para estar no preço em que está". "O Brasil não melhorou tanto a esse ponto e não diminuiu seus riscos. Além disso, o fluxo cambial está negativo. O dólar está sendo reduzido a esse preço pelo mercado, pelos 'players' interessados".
"Eu tenho a impressão de que o preço correto para o dólar neste momento é entre R$ 3,60 e R$ 3,70", afirmou Nehme ao G1.
Último fechamento
Na véspera, o dólar fechou a R$ 3,2133, renovando mínimas em quase 1 ano e acumulando no mês de junho um recuo de mais de 11%, a maior desvalorização mensal em 13 anos.
No mês de junho, o dólar recuou 11,05% frente ao real, o maior recuo mensal desde abril de 2003, segundo a Reuters.
No 1º semestre e no acumulado do ano, o dólar tem desvalorização de 18,61%.
