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Após reforma eleitoral, candidatos a prefeito projetam campanha "enxuta"

Doações de empresas a candidatos estão proibidas a partir das eleições deste ano

A eleição de outubro deste ano será a primeira na história recente do Brasil na qual estará vedada qualquer doação de empresas ou pessoa jurídica aos candidatos. A medida visa combater um modelo tradicional que se arrastava há décadas. A partir de 2016, as doações serão feitas por pessoas físicas até o limite do total dos rendimentos tributáveis auferidos no ano anterior, aos candidatos e aos partidos, que por sua vez farão a divisão do montante arrecadado com seus candidatos. Em Maceió, os pré-candidatos que já colocaram seus nomes projetam uma campanha "enxuta".

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Pela nova legislação eleitoral, os partidos receberão os recursos do Fundo Partidário e também farão repasse aos candidatos. Os partidos e coligações devem publicar na internet os valores recebidos até 72 horas depois das doações. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que, em 2012, quando o então deputado federal Rui Palmeira (PSDB) foi eleito para a prefeitura, foram gastos oficialmente R$ 3,7 milhões. Para este ano, o teto oficial para gastos na candidatura majoritária é de R$ 3,3 milhões.

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Juristas e ministros do TSE demostram preocupação com a possibilidade de utilização do caixa 2 - emprego de recursos não declarados - ganhar o protagonismo no pleito. No Congresso Nacional, parlamentares já defendem uma revisão da medida que veda a doação de dinheiro por empresas. De acordo com Rui Palmeira, que deve ir à reeleição, suas contribuições eleitorais obedecerão integralmente a legislação. "Ou seja, seguiremos rigorosamente o que determina a lei eleitoral, como sempre o candidato Rui Palmeira fez em suas disputas eleitorais anteriores", expôs.

Em busca de voltar à prefeitura, Cícero Almeida (PMDB) revelou que diversas siglas partidárias estão lhe dando a sustentação política necessária para fazer um trabalho propositivo. "A campanha se inicia apenas em 16 de agosto. Nossa pré-campanha é franciscana e está especificamente baseada nos apoios diretos de líderes comunitários, sindicalistas e sociedade civil organizada. Com esses primeiros passos, graças a Deus, os resultados estão sendo altamente positivos. Acredito que meu partido nos dará o suporte necessário para seguirmos em frente", frisou.

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				Após reforma eleitoral, candidatos a prefeito projetam campanha "enxuta"
FOTO: Reprodução

Para Paulo Memória (PTC), pré-candidato a prefeito pelo G8, o atual modelo permitirá uma campanha mais horizontalizada, sem o esmagamento das candidaturas dos partidos menores. "Esta mudança, por si só, acaba com a verticalização eleitoral promovida pelo poder econômico. Neste sentido, acredito que a candidatura mais beneficiada pelas novas regras eleitorais é a nossa, que não tem compromisso com segmentos empresariais. Diante disso, pretendo buscar recursos na classe média, na juventude, naqueles que acreditarem que somos a verdadeira renovação", explicou.

O deputado federal JHC (PSB) criticou o uso da máquina pública dos pré-candidatos Rui Palmeira e Cícero Almeida. O parlamentar ressaltou que, diariamente, é possível observar seus candidatos utilizando-se das estruturas do Poder Público para promoção dos respectivos nomes. "Como possuímos um alinhamento programático com nossos eleitores e eleitoras, encaro o novo modelo de arrecadação com naturalidade.  O perfil do candidato tende a ser um fator de desequilíbrio. Felizmente, exerço meu mandato com muita sintonia com as pessoas, sempre tenho agendas e tento ao máximo escutar os eleitores", frisou.

Mundo de faz de contas

Para o cientista político Ranulfo Paranhos, o caminho para combater à malversação de recursos durante o pleito é por meio da fiscalização e não da proibição. Paranhos ressaltou que, ao longo dos últimos anos, constatou-se que no "mundo real" as declarações das finanças eleitorais dos candidatos não batiam com a realidade empregada durante a campanha. "O Brasil vai inaugurar um modelo que já é bastante utilizando em outros países, a exemplo dos EUA. Será necessário criar na população esse sentimento de ajudar aquele partido ou candidato em que povo acredita", comentou.

Ainda segundo Paranhos,  com a proibição das doações empresárias as campanhas terão uma maior participação dos recursos conhecidos como 'caixa 2'. "Antes, o crime eleitoral era realizado por meio de doações empresárias e hoje estamos vendo os diversos exemplos disso. Agora, com os mesmos personagens, temos um modelo que fomenta o caixa 2. Acredito que o caminho para o combate é a fiscalização dos órgãos. Agora, de fato, as campanhas terão que ser mais enxutas, aproximando-se bastante da realidade financeira que será declarada ao TSE", reforçou.

A reportagem tentou contato com o pré-candidato Paulo Fernandes (PT), o Paulão, mas não conseguiu apesar das diversas tentativas. O ex-deputado Regis Cavalcante (PPS) desistiu da pré-candidatura a prefeito e deve apoiar a reeleição de Rui Palmeira. E o Psol deve confirmar nesta final de semana o nome do professor Gustavo Pessoa como pré-candidato a prefeito. Totalizando, assim, seis pré-candidatos na capital.


				Após reforma eleitoral, candidatos a prefeito projetam campanha "enxuta"
FOTO: Assessoria

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