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Calero diz que recriação do MinC mostra 'protagonismo' do setor

Secretário especial de Cultura deverá ser oficializado como ministro. Ministro da Educação anunciou recriação da pasta para 'serenar os ânimos'.

O secretário especial de Cultura, Marcelo Calero, que deverá ser oficializado na semana que vem novo ministro da Cultura, afirmou por meio de nota divulgada neste sábado (21) que a recriação do ministério mostra o "protagonismo" que o setor tem na sociedade.

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No início da tarde deste sábado, o ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciou que o presidente em exercício, Michel Temer, decidiu recriar a pasta, que havia sido transformada em secretaria e incorporada ao MEC, na semana que vem.

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Por meio do microblog Twitter, Mendonça, que disse ter conversado com Temer, afirmou que a decisão de recriar o Ministério da Cultura é um gesto "no sentido de serenar os ânimos e focar no objetivo maior: a cultura brasileira".

"A recriação do Ministério da Cultura indica o protagonismo do setor na sociedade brasileira e reforça o compromisso do presidente Michel Temer com a área. Agradeço a confiança em mim depositada pelo presidente e, de igual forma, as inúmeras mensagens de apoio que recebi da classe artística e dos realizadores", afirmou Calero em uma nota divulgada à imprensa neste sábado.
A decisão de fundir as pastas de Educação e Cultura foi tomada com base no princípio adotado por Michel Temer ao assumir de reduzir o número de ministérios. O corte da Cultura, contudo, foi alvo de críticas por parte da classe artística.
Nesta sexta (20), por exemplo, músicos como Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Seu Jorge e Marcelo Jeneci participaram de um ato cultural no pilotis do Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio de Janeiro. O prédio, que já sediou o Ministério da Cultura e hoje abriga a Funarte, está ocupado em protesto contra a extinção da pasta.
Diante dos protestos de parte dos artistas e de servidores do Ministério da Cultura, Temer já havia anunciado que, mesmo como secretaria, a estrutura da pasta seria mantida. Nesta sexta-feira (20), edição extra do "Diário Oficial da União" publicou medida que dava status de "natureza especial" ao cargo de secretário da Cultura.
Repercussão entre os artistas
Em entrevista ao jornal "O Globo", artistas repercutiram, ao longo deste sábado, a decisão de Temer de recriar o Ministério da Cultura.
A atriz Fernanda Torres, por exemplo, avaliou que o presidente em exercício "deve ter se arrependido".
A empresária e produtora Paula Lavigne, por sua vez, disse estar "contente" e classificou Marcelo Calero como alguém que "chegou bem, procurando as pessoas e querendo conversar".
Além delas, Eduardo Barata, presidente da Associação de Produtores de Teatro (APTr), afirmou estar "muito feliz" com a "conquista" da classe artística.
Mudanças no governo
No último dia 12, ao assumir como presidente em exercício, Michel Temer editou uma medida provisória (726/2016) na qual determinou mudanças na composição do governo.
Entre essas mudanças, a pasta da Cultura foi incorporada pelo Ministério da Educação, que voltou a ser o Ministério da Educação e Cultura, nomenclatura que manteve até 1985, quando o então presidente José Sarney criou o Ministério da Cultura.
Antes de indicação de Calero, a intenção do presidente em exercício era nomear uma mulher para a comandar a área e assim responder às críticas por um ministério exclusivamente de homens.
Repercussão política
O líder do governo Dilma na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE) afirmou ao G1 que a gestão Temer tem um "problema" porque "diz uma coisa de manhã, volta atrás à tarde e recua de novo à noite".
"É um governo que não mantém posições, quer dizer, age conforme a pressão. E agora, naturalmente, vão começar as pressões pelos ministérios das mulheres e do MDA [Desenvolvimento Agrário]. Um governo não pode ficar assim. Quando decidir alguma coisa, decide. Isso mostra que o governo interino tem dificuldades políticas de governar", declarou Guimarães.
Por outro lado, o líder do governo Temer, André Moura (PSC-SE), disse ao G1 que a decisão do presidente em exercício é um "sinal positivo" para a classe artística, pois atende aos pedidos do setor e mostra a "sensibilidade" de Temer ao ouvir a sociedade.
"Acho que o presidente avaliou todas as recentes manifestações, os pleitos e as solicitações em torno do Ministério da Cultura. É uma decisão importante, acho que mostra a importância que o presidente dá à cultura e demonstra a maior característica dele que é de discutir sempre, debater e ser aberto ao diálogo. [...] Mostra ainda a sensibilidade do presidente, que soube ouvir o setor e tomar esta decisão", disse.
Marcelo Calero
O novo ministro da Cultura, o carioca Marcelo Calero, 33 anos, é diplomata, estudou no Colégio Santo Inácio e se formou em direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Tem passagens pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Petrobras. Em 2007, passou a atuar como diplomata e chegou a trabalhar na embaixada do Brasil no México.
Calero trabalhou na assessoria internacional da Prefeitura do Rio e chegou a acumular a Secretaria Municipal de Cultura e a presidência do Comitê Rio450, órgão criado para organizar a celebração do aniversário da cidade.
Nota
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada por Calero neste sábado:
"Nota a respeito da recriação do Ministério da Cultura
A recriação do Ministério da Cultura indica o protagonismo do setor na sociedade brasileira e reforça o compromisso do Presidente Michel Temer com a área. Agradeço a confiança em mim depositada pelo Presidente e, de igual forma, as inúmeras mensagens de apoio que recebi da classe artística e dos realizadores. Com a colaboração dos servidores do MinC, estamos preparados para os desafios, e entusiasmados com a missão de preservar conquistas, aprofundar políticas exitosas e criar novos programas, observados, sempre, os contornos de uma gestão republicana e eficiente.
É preciso compreender a cultura dentro de uma visão democrática e inclusiva, valorizando a diversidade de nossas manifestações, especialmente as que surgem em nossas periferias. A cultura, que representa o próprio lastro de nossa identidade como nação, deve ser compreendida como eixo estratégico para o desenvolvimento do Brasil.
É tempo, pois, de diálogo e de muito trabalho.
Espero que minha trajetória na administração pública, em particular no Itamaraty e à frente da Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio, possa contribuir para a construção de políticas públicas consistentes e duradouras.
MARCELO CALERO"

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