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Janot pede ao STF para investigar Jucá, Renan, Raupp e Jader Barbalho

Procurador-geral quer apurar suposto recebimento de propina em Belo Monte. Caberá ao ministro Luiz Fachin autorizar a investigação dos 4 peemedebistas

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar quatro integrantes da cúpula do PMDB em um inquérito já aberto na Corte sobre o senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia, por suspeita de desvios na construção da hidrelétrica de Belo Monte.

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Janot quer investigar no mesmo caso o ministro do Planejamento, Romero Jucá, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e os senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Jader Barbalho (PMDB-PA). Todos poderão ser investigados por suposta prática de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por suspeita de receberem propina em contratos da obra.

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O inquérito sobre Lobão tramita em segredo de Justiça e, até então, era desconhecido, mas foi mencionado em documento tornado público nesta quinta-feira (19) no sistema processual do STF. O caso de Belo Monte está sob relatoria do ministroLuiz Edson Fachin, a quem cabe autorizar ou não a investigação dos quatro peemedebistas.

A investigação das suspeitas de pagamento de propina na construção da hidrelétrica de Belo Monte foi autorizada por Fachin em março deste ano com base na delação premiada de Luiz Carlos Martins, funcionário da empreiteira Camargo Corrêa, dentro da Operação Lava Jato.

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Embora o relator dos processos da Lava Jato no STF seja o ministro Teori Zavascki, o tribunal sorteou um novo ministro porque a denúncia de Martins não se trata de um desdobramento do esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

Delação de Delcídio

Na semana passada, Rodrigo Janot pediu para incluir no inquérito de Belo Monte parte dasdenúncias feitas pelo senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS)em sua delação premiada.

O procurador-geral ressaltou ao Supremo que Luiz Carlos Martins apontou somente Edison Lobão como beneficiário de vantagens indevidas, mas que Delcídio mencionou outros supostos destinatários da propina.

Além de falar nos nomes de Romero Jucá, Renan Calheiros, Valdir Raupp e Jader Barbalho, Delcídio apontou ainda como supostos operadores do esquema os ex-ministros do governo LulaErenice Guerra (Casa Civil)e Silas Rondeau (Minas e Energia).

Segundo o senador, Erenice, Silas e o ex-ministro Antonio Palocci atuaram para permitir os desvios e "fizeram aproximação com os grandes empresários".

Segundo o senador, o pagamento à época foi de R$ 30 milhões em propina para PT e PMDB. Parte do suborno, destacou Delcídio, teria sido pago para a campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2010 e parte para o "grupo de José Sarney" no PMDB. O dinheiro teria origem em consórcio da construção da usina, capitaneado pela empreiteira Andrade Gutierrez.

"Os políticos não apenas tinham consciência de que os valores eram provenientes das vantagens indevidas destinadas aos diretores e altos funcionários de empresas públicas e sociedades de economia mista federais, mas também atuavam, direta ou indiretamente, para a continuidade do esquema de pagamento de vantagens indevidas, seja pela manutenção dos diretores em seus cargos, seja pela manutenção do cartel de empresas ou, ao menos, pela não interferência em seu funcionamento", diz Janot no pedido de investigação.

O que disseram os suspeitos

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, que defende Romero Jucá e Edison Lobão, disse que o delator não aponta um único fato que incrimine seus clientes.

A assessoria de Renan Calheiros informou que o senador sempre esteve à disposição para quaisquer esclarecimentos e que todas as imputações contra ele são por ouvir dizer, ou ainda, interpretações subjetivas.

O senador Valdir Raupp disse que jamais fez indicações políticas para o setor elétrico e que as acusações de Delcidio são inverídicas.

Jader Barbalho negou as acusações e desafiou qualquer pessoa a provar que ele tenha recebido propina em Belo Monte.

O advogado de Silas Rondeau disse que a delação de Delcídio sobre seu cliente  é tão inconsistente que o procurador-geral da República sequer determinou abertura de inquérito.

A defesa de Antonio Palocci repudiou o que chama de "mentiras do delator" e negou que a  participação em qualquer negociação relativa à usina de Belo Monte.

A defesa de Erenice Guerra não quis se manifestar.

A coordenação da campanha da presidente afastada Dilma Rousseff reafirmou que todas as doações para a campanha dela foram legais e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

OG1não conseguiu contato com a assessoria de José Sarney.

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