Veja os números da economia brasileira que Temer irá enfrentar
Recessão, inflação alta e rombo nas contas públicas são principais desafios. País deve registrar em 2016, pela 1ª vez, 2 anos seguidos de queda do PIB
A economia brasileira já acumula 4 trimestres consecutivos de queda e o país vive uma recessão que deverá ser a mais prolongada da história do Brasil.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

O país está'mergulhado' em uma recessão profunda, segundo avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que, associada à crescente taxa de desemprego, ao aumento da dívida pública e às incertezas quanto à estabilidade política, impõe uma série de desafios para a retomada da confiança e do crescimento.
Leia também
Para economistas e analistas ouvidos peloG1, equilibrar contas, retomar confiança e realizar reformas estruturais e institucionais estão entre os principais desafios do novo governo.
Confira a seguir um panorama da deterioração dos principais números e indicadores da economia:


Prisão de influenciador vira munição em disputa entre JHC e Paulo Dantas

PL de AL aposta em ex-vereador para liderar juventude do partido

Inauguração de avenida em Arapiraca mobiliza lideranças e sinaliza articulação política

Antigos rivais, Sérgio Lira e Marcos Madeira se juntam em apoio a JHC
Recessão
A projeção do FMI é que o Produto Interno Bruto (PIB) irá sofrer uma contração de 3,8% este ano -em 2015 a queda foi de 3,8%- e ficará estagnado em 2017. Já os analistas do mercado ouvidos pelo Boletim Focus do Banco Central projetam um tombo maior neste ano, de 3,86%.
Se a expectativa dos analistas se confirmar, o PIB terá o maior "tombo" desde 1990 - quando recuou 4,35% -, ou seja, em 26 anos.
Será também a primeira vez que o país registrará dois anos seguidos de contração na economia, pela série doIBGE, iniciada em 1948.
Alta dos preços
A inflação deverá estourar mais uma vez o teto de 6,5% do sistema de metas e ficar bem distante do objetivo central de 4,5% fixado para este ano.
No acumulado em 12 meses até abril, a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),acumulou alta de 9,28%.
Em 2015, a inflação oficialficou em 10,67%, a maior desde 2002. A expectativa do BC e do mercado é que o indicador fechará o ano em 7%. Para 2017, a estimativa é de 5,72%.
O Banco Central vinha informando trabalhar para buscar "circunscrever" o IPCA aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2016. Ou seja, trazer a taxa para até 6,5% e, também, fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017.
Gastos do governo
O descontrole do gasto público tem sido fator constante de preocupação e levou o Brasil aperder o desejado grau de investimento, o selo de país bom pagador de sua dívida.
Em 2015, as contas do governo tiveram forte deterioração e registraram umrombo recorde de R$ 114,98 bilhões, ou 1,94% do PIB.Para 2016, a previsão é que as despesas superem as receitas pelo 3º ano consecutivo. No acumulado no ano até março, as contas do governo registraramdéficit de R$ 18,21 bilhões.
Em março, o ministro da Fazenda,Nelson Barbosa, enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei para alterar a meta fiscal, pedindo aval para um rombo de até R$ 96,65 bilhões nas contas em 2016, o que equivale a 1,5% do PIB nacional.
Rombo na Previdência
O crescimento do déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sistema público que atende aos trabalhadores do setor privado, tem sido um dos principais fatores de preocupação.Em 2014, a diferença entre as receitas e o pagamento de benefícios previdenciários ficou em R$ 85,81 bilhões, ou 1,5% do PIB.
Para 2016, a projeção é de um resultado negativo de R$ 133 bilhões, ou 2,14% do PIB, segundo estimativas do Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Já para 2017, a previsão é que o déficit atinja a marca recorde de R$ 167,62 bilhões, ou 2,47% do PIB.
Números divulgados recentemente mostram que a instituição da fórmula 85/95 progressiva para aposentadorias, que vale desde junho do ano passado, jáajuda a aumentar o rombo nas contas da Previdência.
Mudanças nas regras de aposentadoria foram discutidas no fórum da Previdência Social, que é composto por representantes do governo, dos trabalhadores (centrais sindicais), dos aposentados e dos empregadores, mas uma proposta de reforma não chegou a ser enviada pelo governoDilma RousseffaoCongresso.
Taxa básica de juros
A taxa básica de juros da economia vem sendo mantida desde julho do ano passado em14,25% ao ano, o maior patamar em quase dez anos.Ao subir os juros ou mantê-los elevados, o BC encarece o crédito e reduz o consumo no país, atuando assim para segurar a inflação. Por outro lado, os juros altos prejudicam o nível de atividade da economia brasileira e a geração de empregos.
Ainadimplência e os juros bancários atingiram os maiores patamares 5 anos, segundo dados do Banco Central. Em meio à recessão e ao aumento do desemprego, os índices de inflação têm mostrado queda. Com isso, o debate passou a ser não mais sobre a possibilidade de aumento de juros, mas sim sobre quando o BC começará a reduzir a taxa básica da economia.
O mercado vinha trabalhando com aexpectativa de que o ciclo de redução da taxa básica de juros deve começar no final de agosto, mas há analistas que acreditam que os cortes podem ter início já em meados de julho.O mercado financeiro prevê que a Selic terminará este ano em 13% ao ano e que, em março de 2017, a taxa já esteja em 12% ao ano.
Mercado de trabalho
O aumento do desemprego tem sido o efeito colateral mais doloroso da recessão. Já são mais de 11 milhões de desocupados no país, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No 1º trimestre, ataxa de desemprego ficou em 10,9%,a maior desde 2012. Em março, o Brasil completou 12 meses ininterruptos de fechamento de vagas com carteira assinada.No acumuladonos 3 primeiros meses do ano, o país perdeu 319.150 empregos formais. Em 12 meses, o número de vagas fechadas já passa de 1,85 milhão.
O número de pessoas empregadas com carteira assinada recuou a patamares de 2013. Já o rendimento médio dos trabalhadores ficou em R$ 1.966 no 1º trimestre, valor 3,2% menor que o registrado no mesmo período de 2015.
Investimentos
A paralisação dos investimentos também ajuda a explicar a recessão. A Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que apura o que se investe em máquinas, bens duráveis e construção civil para aumentar a capacidade produtiva do país, segue em trajetória de queda.
Em 2015, o tombo foi de 14,1% na comparação com o ano anterior. Com isso, a taxa de investimento caiu de 20,2% em 2014 para 18,2% do PIB. Para 2016, a previsão é que a queda pode ser ainda maior.
Na indústria, a ociosidade segue em níveis elevados. A utilização da capacidade instalada ficou em 77,4% em março. No primeiro trimestre, aprodução industrial acumulou queda de 11,7%, a maior retração para o período desde 2009.
Câmbio
Após bater R$ 4 no ano passado, o dólar passou a orbitar nos últimos meses ao redor do patamar de R$ 3,50.Em 2015, a moeda dos Estados Unidos subiu 48,49% sobre o real. Neste ano, no acumulado até abril, o dólar caiu 12,86% frente ao real, com o movimento de queda associado fundamentalmente à expectativa de uma troca de governo.
O mercado financeiro projeta que a taxa de câmbio termine o ano a R$ 3,70. Para o fechamento de 2017, a previsão dos economistas para o dólar recuou de R$ 4 para R$ 3,90, segundo o Boletim Focus.
Apesar de pressionar a inflação e encarecer as viagens internacionais, o dólar no atual patamar é visto como positivo para as exportações brasileiras. No acumulado no ano até abril, a balança comercial acumula superávit de US$ 13,24 bilhões, melhor resultado desde 1989 e bem melhor do que o verificado no mesmo período do ano passado, quando houve déficit de US$ 5,05 bilhões.
A previsão do mercado é de um superávit de US$ 48 bilhões na balança comercial no fechamento de 2016.
Brasil rebaixado
Desde fevereiro, o Brasilperdeu o grau de investimento nas 3 principais agências internacionais de classificação de risco. Com isso, os títulos da dívida do Brasil e, por consequência, o investimento no país, passou a ser considerado especulativo.
Nas agênciasFitch, Moody's eStandard and Poor's, a nota do Brasil está no mesmo patamar: dois degraus abaixo do grau de investimento.
Oúltimo rebaixamento foi anunciado pela Fitch no dia 5. Segundo a agência, uma transição de governo poderá representar uma oportunidade nova para ajustes e reformas econômicas, mas permanecerão riscos de implementação.
"Uma recessão longa e profunda, acompanhada por uma taxa de desemprego crescente e a incerteza em relação à força e estabilidade da coalizão de governo, acentuam os desafios que um potencial governo Temer poderá confrontar", diz a Fitch.
A nota de crédito do país acaba refletindo também na nota das empresas, deixando o crédito mais caro e mais restrito. Nos últimos meses, as agências passaram a alertar sobre o elevado endividamento das companhias brasileiras.
Em 2015, adívida das empresas brasileiras de capital aberto subiu 31%em comparação com 2014, segundo levantamento da provedora de informações financeiras Economática.
