Mães travam luta contra o preconceito e falam que microcefalia é um detalhe
Gazetaweb conversou com mulheres guerreiras que quebram as barreiras da dúvida e da revolta
Dúvida, incerteza, revolta, falta de esperança. Sentimentos que tomam conta de mães que tiveram filhos com microcefalia e travam uma luta contra o preconceito diariamente, seja pela sociedade ou até dentro da própria casa, vindo da família. Apesar do drama vivido, o entendimento é unânime: o amor materno cresce constantemente, pois a malformação é apenas um detalhe a ser trabalhado.
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O Dia das Mães chega e o sentimento aflora em muitas famílias. Na última reportagem desta série, a Gazetaweb conversou com algumas mães atendidas no Centro de Reabilitação da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), a exemplo de Flávia Dayane, que gerou a pequena Ayla Sofia, de apenas dois meses. Ela descobriu a microcefalia só depois do parto, porém, o susto foi amenizado pelo sentimento de resignação.
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"Fiz pré-natal, tudo certinho, mas nada foi constatado. Até o parto, estava tudo bem; depois do nascimento, a equipe médica conversou com minha madastra e ela me deu a notícia. No primeiro momento, fiquei pensativa, aquela informação foi horrível. Porém, quando vi minha menina, o amor falou mais alto e deixei passar aquela tristeza", comenta Flávia.
Questionada sobre a família, Flávia disse que o apoio dado por todos os parentes é incondicional, inclusive, pelo próprio pai, de quem é separada. "Meu primeiro Dia das Mães será mais do que tranquilo, porque o amor supera absolutamente tudo. Este problema veio à tona para que a minha dedicação fosse maior. Sofia vai crescer com saúde e vou fazer minha faculdade de Engenharia. A vida continua", diz Flávia.


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Também guerreando contra olhares de preconceito, estava Aline Juliane de Oliveira, que esperava atendimento no núcleo de reabilitação. Assim como Flávia, Aline descobriu - só após o nascimento - que o seu bebê João Miguel, de dois meses, tinha microcefalia.
Na verdade, o sofrimento da genitora contou com dois sustos. O primeiro aconteceu na ultrassom, quando o médico que a acompanhava garantiu que Miguel nasceria com hidrocefalia. "Foi uma coisa triste, porque nenhuma mãe quer ter um filho doente. Aí, quando meu pequeno nasceu, vi que era o contrário do que o médico disse. É difícil, mas aceito e peço a Deus que eu crie ele com todo o amor. O pai está comigo dando o apoio necessário e, também, a minha família e a dele. Quem não dá apoio e quem olha estranho é porque não tem coração. A única dificuldade hoje é porque não paro mais em médico, mas, se Deus viu que eu merecia e que eu aguentaria, foi bem-vindo", comenta Aline.

Tratamento
No Centro de Reabilitação da Uncisal, a reportagem também falou com terapeutas ocupacionais e com uma psicóloga. Segundo a gerente geral do núcleo, Janayna Cajueiro, 22 bebês são atendidos por uma equipe de fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, além de médicos nas áreas de Oftalmologia, Pediatria, Otorrinolaringologia, Cardiologia e Neurologia. No momento, o centro organiza um grupo voltado à psicologia conjunta, ou seja, em grupo. Atualmente, as mães são atendidas individualmente por psicólogos.
"O tratamento ocorre duas vezes na semana, por quarenta minutos. Trabalhamos com orientações às mães sobre como lidar com o filho e deveremos visitá-las em breve, para acompanhar mais de perto. Atendemos mães da capital e de várias cidades do interior", explica Janayna.
De acordo com terapeuta ocupacional Flávia Calheiros, muitas das crianças chegam irritadas e as equipes devem trabalhar com alguns recursos que muitas famílias não dispõem. "A irritação e o choro são queixas constantes da mães. A gente percebe que eles não têm recursos para estimulações, como brinquedos visuais e auditivos", assinala Flávia, citando que as equipes trabalham de forma intensa com estímulos sensoriais no aspecto tátil, de forma que o bebê se perceba e se acalme.
Para a terapeuta Emanuele Souza, cada criança reage de uma forma, até porque a única característica comum entre elas é a redução no tamanho do crânio. Variam, portanto, déficit intelectual, comprometimento motor e alteração visual/auditiva.
A psicóloga Giuliana Braga, que acompanha as mamães, fala que a dúvida é o sentimento que pesa, ou seja, as famílias chegam sem nenhum conhecimento sobre a malformação. Porém, muitas entram esperançosas quanto ao desenvolvimento dos filhos.
"Quando a mulher engravida, há uma expectativa em torno da criança, não só da mãe como da família toda. É preciso que haja a Psicologia para a mãe saber como lidar com a criação, pois ela é cobrada todo o momento pelos seus. Portanto, faremos a psicologia em grupo, visando à troca de experiências entre mães fortes e outras fragilizadas. O apoio para aceitação é o ponto principal", expõe a psicóloga.

