'Hoje não é um dos dias mais fáceis', diz FHC no dia seguinte à votação
Para tucano, não há golpe no processo contra Dilma
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou na manhã desta segunda-feira (18), em São Paulo, que o dia não é "dos mais fáceis para ele" e que a noite anterior, quando a Câmara dos Deputados aprovou o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, foi bastante "agitada".
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Antes de começar palestra organizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) "Desafios ao Estado de Direito na América Latina", FHC pediu desculpas ao público.
Leia também
"Queria primeiro pedir desculpas, vocês podem imaginar que hoje não é um dos dias mais fáceis para mim, a noite foi bastante agitada e o dia será bastante agitado. De um modo que não será um dos melhores momentos para expor as ideias que quero expor aqui, mas faço com prazer ", afirmou referindo se à situação política do país.
"O impeachment não pode ser o objetivo de ninguém, ele tem que ser a consequência de fatos em duas dimensões. Uma é jurídica, a Constituição tem que dizer se é ou não crime de responsabilidade. A outra é jurídica, o governo tem ou não força pra governar. Quando se juntam as duas, é muito difícil evitar o processo de impeachment mas tem que ser dentro da regra".


Prefeitos fiéis ao MDB nas eleições serão prestigiados, avisa Renan Calheiros

Câmara muda Lei Orgânica e beneficia vereador que deve assumir cargo no Estado

JHC e Paulo Dantas protagonizam troca de críticas sobre violência nas redes sociais

Flávio atribui possíveis novas tarifas ao “tom agressivo” de Lula os EUA
FHC disse acreditar que a democracia não será ferida. "Não creio que haja riscos para a democracia", declarou.
Para o tucano, apesar dos contrários ao processo de impeachment verem um golpe de estado por não haver crime de responsabilidade em pedaladas fiscais, não houve golpe.
"Nós vamos ter que juntar as nossas forças a despeito de tudo, manter a liberdade, manter a democracia e o respeito. Não insistir em uma coisa que não é verdadeira, não há golpe nenhum, tudo dentro da lei seguindo o rito da constituição", declarou.
"Pelas circunstâncias eu sou quase que obrigado a reconhecer que o governo não tem mais condições de governar além de ter arranhado a Constituição, mas isso não quer dizer que temos que jogar pedras uns nos outros. Nós temos que resolver problemas graves no Brasil, muito sérios, não só os econômicos, os políticos também, sociais. E sobretudo é preciso dar continuidade às investigações, a Lava Jato, doa a quem doer".
Segundo FHC, a "maturidade" da população foi que mais lhe chamou a atenção que manteve os ânimos mais calmos. "O que me impressionou mais ontem foi o povo, eu acho que o povo está maduro. Nós estamos passando por um momento difícil e não houve conflito, isso é muito importante, sentimento democrático enraizando no povo".
Questionado sobre a possibilidade de novas eleições presidenciais, Fernando Henrique disse que só pode haver caso o TSE considere a chapa Dilma/Temer nula. "Nós temos que seguir a Constituição, fora é muito perigoso. Já é ruim passar por um processo de impeachment, as circunstâncias levam a isso, não é um desejo", afirmou. "Se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disser que a chapa é nula, se for esse ano é eleição geral e se for o ano que vem o Congresso elege".
