Em um ano, comércio de Maceió perde 30 lojas e demite centenas de trabalhadores
Estabelecimentos de vários ramos fecham as portas, impactando no faturamento mensal
A crise política e econômica nacional vem trazendo graves consequências para todos os ramos, dentre eles, indústria, comércio e agricultura. Se a situação já é melindrosa entre os pequenos e médios empresários, não deixa de ser preocupante aos grandes. Gigantes da economia do comércio fecham as portas, a exemplo da Insinuante, Marisa e Eletro Shopping. Na capital alagoana, a situação vai de mal a pior com o fechamento de cerca de 30 lojas no período de um ano, gerando desemprego de 800 trabalhadores diretos e indiretos. A perda no faturamento mensal ultrapassa o montante de R$ 2,5 milhões.
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Aproximadamente, 30 proprietários de estabelecimentos comerciais particulares de Maceió sofreram drásticas mudanças com o aumento de impostos, falta de investimentos em infraestrutura e ausência de planejamento estratégico de longo prazo para a economia do país. Se a indústria vem sentindo a amargura na redução de suas produções, o que dirá o comércio, principalmente, os empregados que só dependem desse ramo para seu sustento?
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Conforme explica o presidente da Aliança Comercial, Guido Júnior, três grandes departamentos comerciais fecharam lojas devido a incêndios e outros dois concluíram suas atividades devido a reformas. Porém, esses também sofrem com as mudanças econômicas.
"Todos os comerciantes passam a sentir os reflexos drásticos. Já começa pelo aluguel, já que todos as lojas são alugadas e o comerciante inquilino precisa honrar com o pagamento. O faturamento não está cobrindo os custos e a realidade nua e crua vem se arrastando há um ano", comenta Guido.


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Ele sinalizou que o fechamento de lojas no comércio de Maceió gerou uma média de 450 demissões de trabalhadores diretos e 350 indiretos nos últimos 12 anos. "É lamentável esta situação, pois jamais se viu um cenário como este, com tantas lojas fechadas. Estamos na semana do Liquida Maceió, que aqueceu a economia varejista, mas que não dá para para amenizar a crise. Apesar desse cenário, está descartada a possibilidade de fechamento do comércio, pois é um ramo que sempre permanece ativo, driblando toda e qualquer crise, ainda que de proporções jamais vistas", disse Guido Júnior ao pontuar que uma saída para otimizar as vendas seria a volta dos atendimentos JAS, trazendo fluxo de 3 mil atendimentos aproximadamente.

Guido Júnior reforçou que é necessário maior renda per capita, redução dos juros e geração de emprego, de forma a trazer mais indústrias.
A relação das lojas fechadas no centro da cidade abrange a Credimóveis (móveis e eletrodomésticos), Artcolor (fotografia), Stampa (confecções) e Livroteca (papelaria), todas situadas na Rua do Livramento. Já na Avenida Moreira Lima, loja Tendência China (variedades), Capoteiro (capotaria), Pajé Acessório (variedades), Claro (telefonia) e duas sem identificação.

Já na Rua do Comércio (corredor de ônibus), fecharam as portas as lojas Zezé Biju (bijuteria), Eletro Shopping (móveis e eletrodomésticos), Insinuante (móveis e eletrodomésticos), Brasil (utilidades do lar), Farmácia (medicamentos), Colombo (vestuário), Universal Móveis (móveis e eletrodomésticos) e Casas Bahia (móveis e eletrônicos). Na Rua Boa Vista, as lojas Ótica (óculos), Comedoria (refeição), Shaloon Biju (bijuteria), Ricardo Eletro (móveis e eletrodomésticos) e Designer (vestuário) não estão mais funcionando. A Rua da Alegria também foi alvo da crise, com o fechamento da Palácio Homeopatia (produtos naturais), Meta 18kg (joalheria), Global (papelaria) e outras três sem identificação.
Bola de neve
A reportagem foi até o centro de Maceió e conversou com alguns comerciantes, dentre eles, o proprietário do restaurante Kommo, situado no calçadão do comércio. Para Jeimes Pereira, no primeiro semestre do ano passado, a crise começou, mas ainda não se tinha demissão; já no segundo semestre, as demissões tiveram início em uma escala crescente.
"Passou o período do seguro-desemprego e esses trabalhadores não foram readmitidos devido aos reflexos da crise. Tenho o restaurante há três anos, período de estabilidade do negócio, mas vivemos o contrário: queda nas vendas e aumento médio de 38% nos alimentos. Tentamos manter o valor dos produtos para segurar a clientela, mas não conseguimos, já que o público consumidor é de profissionais liberais, servidores públicos, bancários e clientes em compras no comércio", destacou o empresário.

Jeimes acrescentou que há queda mensal de 26% nas vendas, o que acarretou a demissão de três funcionários. Hoje, o restaurante conta com 20 trabalhadores. "A pessoa prefere pagar a escola do filho a comer fora de casa. Em meio a essa situação, não podemos estar com a equipe sem pagar. Inclusive, nós fechamos uma casa nossa".
A Gazetaweb também visitou a loja Baiana Fashion Bijoux e falou com a proprietária Silvana Ferreira de Siqueira, que lamenta o fechamento do estabelecimento nos próximos dias, após oito anos de existência. O local está ofertando promoções em todos os seus produtos.
"Vamos fechar a loja no dia 25. Não dá mais para segurar as contas e trabalhadores, infelizmente. De um total de dez funcionários, já foram embora seis. Felizmente, tenho outras lojas, mas sinto pelos meus funcionários. A queda nas vendas foi de 80%", disse a comerciante.
O proprietário da Lojas Abys, Marcos Tavares, afirma que a empresa passa por uma forte queda nas vendas, refletindo diretamente em resultados, planejamento e no quadro funcional. De janeiro até março, houve 38 desligamentos e uma queda acumulada de 23,2%.
"Várias frentes estão sendo criadas para atenuar os impactos da crise, dentre elas, uma forte diminuição nos custos que podem ser administrados, maior assertividade na busca por produtos direcionados ao nosso público, ações cooperadas junto a nossos principais fornecedores, diminuição do quadro, negociação direta com fornecedores de produtos, aluguéis e serviços", comenta o empresário do ramo de calçados.

Por outro lado, a loja Via Paris, de bolsas e acessórios, não fechará as portas, é o que confirma o proprietário, Olinto Osório. O empresário, apesar de comentar sobre as consequências da crise, pondera que algumas lojas não estão "se despedindo" do comércio pela crise, mas sim, para melhorar o negócio de alguma maneira com reformas.

"É bom esclarecermos que outras crises atingiram o comércio; não é a primeira. Isso é uma fase. Não demiti até agora nenhum funcionário meu, mas pode haver demissões. Na Via Paris e em mais duas lojas, trabalhamos com um quadro enxuto de pessoas, ou seja, para tirar gente é complicado. Reconheço que o movimento está fraco desde a Copa do Mundo, quando aqueles feriados atrapalharam tudo. O comércio é uma bola de neve e acredito que só vamos melhorar quando houver mudança no governo com o impeachment", assinalou Olinto.
Por meio de nota, a rede de lojas Laser Eletro - que foi alvo de um incêndio no ano passado - negou que esteja se fundindo a outra gigante do ramo de móveis e eletrodomésticos e, muito menos, que esteja fechando as portas no Centro de Maceió por conta da crise econômica.
A marca explica que não houve redução de quadro no estado e nem diminuições na área comercial. "Na verdade nossas vendas aumentam cada vez mais e nosso planejamento é ainda abrir mais lojas em Maceió", informa a nota.
