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Bélgica acusa três homens de terrorismo por ataques em Bruxelas

Um deles pode ser suspeito do aeroporto que estava foragido, diz imprensa. Até o momento 24 vítimas foram identificadas; 62 feridos têm estado grave

Promotores belgas acusaram neste sábado (26) três homens de terrorismo em conexão com os ataques de terça no aeroporto e em uma estação de metrô em Bruxelas, nas quais 31 pessoas foram mortas, incluindo três agressores, e 340 ficaram feridas, sendo que 62 ainda estão em estado grave. Eles são os primeiros indiciados como parte da investigação sobre os atentados de terça-feira, que foram reivindicados pelo grupo Estado Islâmico.

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De acordo com a mídia local e com fontes de segurança para a agência France Presse, um dos homens acusados pode ser o terceiro homem que atuou no aeroporto e estava sendo procurado pela polícia.

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Os promotores identificaram um dos homens acusados como Faycal C. A imprensa local afirma que ele seria Faycal Cheffou, o homem que vestia chapéu e uma jaqueta clara na imagem das câmeras de segurança do aeroporto que mostra três homens empurrando malas em carrinhos momentos antes das explosões.

"É uma hipótese que está sendo trabalhada pelos investigadores", assegurou uma fonte próxima da investigação à AFP.

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De acordo com a procuradoria, Faycal C recebeu acusações de participar de atividades em um grupo terrorista e de tentativa de assassinato terrorista. Segundo a Reuters, sua casa foi vasculhada, mas nenhuma arma ou explosivo foi encontrado.

O homem foi detido na quinta-feira à noite com duas outras pessoas "em frente à porta" da procuradoria federal, cujos escritórios estão localizados no centro de Bruxelas, ao lado do Palácio da Justiça.

Os outros dois indiciados neste sábado, Aboubakar A. E Rahan B., foram acusados de conduzir atividades terroristas e pertencerem a um grupo terrorista. Rabah N. é procurado em conexão com uma busca relatada na França nesta semana que, segundo autoridades, impediu um ataque.

O suspeito de jaqueta clara, que empurrava um carrinho de bagagens ao lado de Ibrahim El Bakraoui e Najim Laachraoui, todos os dois ligados aos atentados de novembro em Paris, teria abandonado uma bolsa cheia de explosivos no aeroporto antes de partir do local, segundo o procurador Frédéric Van Leeuw.

A carga explosiva deixada por ele não explodiu no momento do duplo atentado suicida.

Um outro suspeito não identificado é procurado pelas autoridades por aparacer, em imagens de segurança, com uma mochila perto do homem-bomba do metrô de Bruxelas, Khalid El Bakraoui, o irmão de Ibrahim.

Rede 'prestes a ser aniquilada'

Desde os ataques de 13 de novembro, o mais mortífero jamais cometido na França, com 130 mortes, reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), um outro belga, Mohamed Abrini, suspeito de ter tido pelo menos um papel logístico nos atentados, também é procurado.

Com mais de trinta homens mortos ou presos, a rede que cometeu os assassinatos em Paris e em Bruxelas "está prestes a ser aniquilada", garantiu na sexta-feira o presidente francês, François Hollande. Mas "existem outras redes" e "há sempre uma ameaça", acrescentou.

A França afirma ter frustrado um plano de ataque "em estágio avançado" ao prender na quinta-feira o francês Reda Kriket, um ex-ladrão de 34 anos. Fuzis e explosivos foram encontrados em um apartamento nos subúrbios de Paris depois de sua prisão.

Mais uma vez, os movimentos jihadistas francês e belga parecem estar intricados entre si. Kriket havia sido condenado à revelia no ano passado na Bélgica no julgamento de uma rede de recrutamento jihadista para a Síria, durante o qual um dos principais réus era o belga Abdelhamid Abaaoud, um dos supostos mentores dos ataques de 13 de novembro.

Neste contexto, Rabah N., preso na sexta-feira em conexão com a investigação do projeto de ataque frustrado esta semana na França, também foi acusado de "participação em um grupo terrorista", segundo a procuradoria federal belga.

A prisão provisória de outro suspeito, Abderamane A., foi estendida neste sábado por 24 horas.

Já a Alemanha anunciou que um marroquino preso no país não tem conexão com os agressores de Bruxelas.

Aeroporto permanece fechado

A capital da União Europeia tem vivido ao ritmo das operações policiais, e a normalidade tarda a ser retomada quatro dias após os ataques. Após autoridades pedirem que as pessoas evitassem colocar mais pressão sobre a já sobrecarregada força policial do país, organizadores cancelaram uma marcha em Bruxelas, marcada para o domingo para reforçar a importância de convivência e solidariedade.

O aeroporto de Zaventem permanecerá fechado por pelo menos mais um dia, até terça-feira, enquanto o metrô circula em marcha lenta.

As autoridades belgas continuam a ser pressionadas, criticadas por não terem agido para prender os suspeitos antes que atacassem.

Para lançar luz sobre estas redes, os investigadores franco-belgas esperam muito de Salah Abdeslam, principal suspeito dos atentados de Paris, preso na semana passada em Bruxelas depois de mais de quatro meses. A justiça francesa pede sua extradição, à qual ele não se opõem mais, como fazia num primeiro momento.

24 vítimas identificadas

Enquanto isso, o difícil trabalho de identificação das vítimas continua. Até o momento foram identificadas 24 pessoas, incluindo 11 cidadãos de oito nacionalidades - entre eles dois americanos, um francês, um britânico, uma italiana e três holandeses.

Os belgas, abalados pelos ataques mais mortais no reino desde 1945, reúnem-se todos os dias desde terça-feira na Place de la Bourse, no coração da capital, para demonstrar sua resistência ao terrorismo. Velas, pequenas palavras escritas a giz na calçada e flores transformaram a praça em um memorial às vítimas dos ataques.

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