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Jaques Wagner atribui protestos à crise econômica e critica oposição

Chefe da Casa Civil diz que há 'cansaço' da população com a política

Após se reunir com a presidente Dilma Rousseff e a coordenação política do governo, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, atribuiu nesta segunda-feira (14) os protestos do domingo (13) à crise econômica que o país está enfrentando e criticou o que chamou de "agenda única" da oposição do impeachment. Esta foi a primeira entrevista de um integrante do primeiro escalão após os protestos.

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Na manhã desta segunda, a presidente Dilma Rousseff comandou a reunião semanal da coordenação política na qual avaliou, ao lado de ministros e líderes do governo no Congresso, o impacto das manifestações no processo de impeachment que ela enfrenta no parlamento.

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"Avaliamos que há, sim, uma rejeição, e que o povo está cansado e abusado da classe política. Não tem ninguém fazendo oposição ou sendo propositivo. Assim como o empresário que está cansado de tanta indefinição", declarou Wagner em uma entrevista coletiva em seu gabinete no Palácio do Planalto.

Aos jornalistas, o chefe da Casa Civil também relacionou diretamente as manifestações deste fim de semana com o atual cenário econômico.

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"As pessoas estão indo para as ruas por quê? Tudo contribui, mas o carro-chefe é a vida das pessoas, ou seja, leia-se 'economia'. Se tudo tiver uma maravilha, o cidadão não está nem olhando", enfatizou.

Segundo ele, o governo tem de "reagir" ao cenário econômico, "intensificar" o diálogo com a base aliada e colocar os ministros de todos os partidos para conversar com o Congresso Nacional.

'House of Cards'
Na entrevista, Jaques Wagner comparou o processo de impeachment de Dilma à série norte-americana "House of Cards" na qual o deputado Frank Underwood, interpretado pelo ator Kevin Spacey, vira presidente dos Estados Unidos após articular a queda do vice-presidente e o impeachment do presidente.

Para Wagner, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está com "pressa" para tocar o processos porque quer sair de cena". O peemedebista se tornou réu no Supremo Tribunal Federal por supostamente ter recebido propina no esquema de corrupção da Petrobras. Além disso, Cunha enfrenta um processo no Conselho de Ética da Câmara que pode cassar o mandato dele.

"Ele [Cunha] se move por raiva porque acha que a Polícia Federal dela [Dilma], o Supremo Tribunal Federal dela e o Ministério Público Federal dela agiram. Quer dizer, para ele, é um troco: 'A senhora vai antes de mim'. Então, é como no House of Cards. Mas, assim, tem o rito e nós vamos trabalhar para barrar o impeachment, vamos conversar", declarou Wagner.

Na avaliação do ministro da Casa Civil, a população "banaliza" o processo de impeachment, "que é uma coisa nobre da democracia". Segundo ele, nada é mais "sagrado" que o voto popular e os remédios para a crise ou impopularidade não podem ser a destituição do presidente eleito.

"Então, é um artifício usar a ferramenta constitucional do impeachment. Vai virar uma bagunça total. O presidente está impopular? Mete impeachment. O que é isso? Acho que estamos arriscando nossa democracia", declarou.

Reforma política
Um dos principais auxiliares da presidente Dilma Rousseff, Jaques Wagner avaliou que a população deveria fazer a mesma "pressão" que demonstrou neste domingo para que o país aprove uma reforma política "efetiva".

Ainda sobre as manifestações, o ministro acrescentou que desde janeiro do ano passado parte da oposição tem "agenda única", que é o impeachment da presidente da República. "Quer dizer, eles estão interditando o país", observou.

Indagado sobre se o governo está na "UTI de um hospital", o ministro retrucou: "Não gosto desse tipo de expressão porque tem tanta gente que se recupera rapidamente. Não acho isso, mas sei que tem dificuldades, sim, principalmente na economia.

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