PF investiga quase batida de avião que buscava preso na Lava Jato
Piloto ignorou instrução na decolagem no DF e invadiu rota de voo da FAB.
A Polícia Federal informou ao portal G1 que abriu processo administrativo para investigar as circunstâncias da quase colisão do avião que partiu de Brasília para buscar o marqueteiro do PT preso na Operação Lava Jato, João Santana, em São Paulo e em seguida levá-lo ao Paraná. O incidente aconteceu nesta terça-feira (23).
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Na decolagem, o piloto ignorou as instruções e acabou invadindo a rota de uma aeronave da Força Aérea Brasileira. O controlador de tráfego precisou intervir para evitar o choque. A corporação disse ainda que vai colaborar com a apuração já em andamento pela Força Aérea Brasileira, mas não deu mais informações sobre o caso.
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Os aviões deixaram simultaneamente o terminal às 7h30, mas em direções diferentes. De acordo com a FAB, a aeronave de matrícula PR-BSI, da Polícia Federal, faria uma curva para a direita logo após deixar o solo, rumo a Guarulhos (São Paulo). Ela deveria fazer a manobra quando atingisse 200 metros de altura. Já a da Força Aérea, que estava sem passageiros e partia para Vitória (ES), deveria seguir em linha reta por 35 quilômetros. Depois, ela faria leve curva para a direita. Pouco depois das decolagens, porém, o avião da PF acabou virando à esquerda, na direção em que estava a outra aeronave. Não foi necessário abortar nenhuma das operações, já que, segundo a FAB, o piloto da polícia retornou à rota original assim que foi avisado.
Os diálogos entre o controlador de tráfego aéreo e os pilotos revelam as manobras para evitar a colisão:


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Controlador: Força Aérea 85.282, trace uma posição de uma hora. Curve imediatamente agora para o rumo norte, senhor, a fim de evitar que essa aeronave... Interrompa a subida agora.
Controlador: Força Aérea 2582 controle Brasília, interrompa a subida agora. Trace uma correção agora de uma hora, mesma altitude, senhor.
Piloto da FAB: Tô visual, mantendo separação aqui. A aeronave iniciou curva à direita, a saída nossa ficou conflitante com esse tráfego, ok? A saída era prevista, a decolagem da 11 esquerda com ligeiramente curva à direta. Não tem, não tem mais como fazer essa saída aqui com essa aeronave decolando.
Controlador: O senhor está correto, Força Aérea 2582. Bravo-Serra e Índia (PR-BSI), a sua decolagem deveria ter iniciado a curva à direita, 4,1 mil pés. Suba agora para o nível 270.
Piloto do PR-BSI: Subindo para o 270 pró-sul.
O aeroporto de Brasília foi o primeiro da América do Sul a ter duas pistas paralelas. Elas têm mais de três quilômetros de comprimento e estão a uma distância de 1,8 quilômetros. As operações simultâneas começaram no final do ano passado. Em nota, a Aeronáutica disse que o controlador de tráfego aéreo "agiu prontamente para evitar maiores problemas". "Desde novembro de 2015, o Aeroporto de Brasília opera com decolagem simultânea, tendo em vista que as pistas são paralelas. No caso em questão, foram autorizadas duas decolagens simultâneas: aeronave de matrícula PR-BSI com destino a Guarulhos decolando da pista direita e a aeronave FAB 2582 decolando da pista esquerda."
"A instrução do perfil de decolagem que foi confirmada pelo piloto da aeronave PR-BSI previa curva imediata à direita após a decolagem (conforme descrito na carta de decolagem). Entretanto, o perfil executado pelo piloto contrariou a instrução recebida e a aeronave teve um deslocamento à esquerda, interferindo na decolagem da aeronave FAB 2582, que cumpria corretamente o seu perfil de decolagem", afirma o texto. A FAB informou também que a investigação que conduz deve apontar as circunstâncias do incidente. "A distância entre as aeronaves e as demais circunstâncias presentes estão sendo apuradas em um processo de investigação. Caso se confirmem indícios de desobediência às normas aeronáuticas, o processo será encaminhado à Junta de Julgamento da Aeronáutica, que poderá aplicar sanções administrativas", informou a FAB.
