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BC diz que sua estratégia não contempla 'reduções' da taxa de juros

Afirmação é do diretor de Política Econômica, do órgão, Altamir Lopes. Objetivo do BC é trazer IPCA para abaixo de 6,5% em 2016

A estratégia do Banco Central para trazer a inflação oficial abaixo de 6,5% neste ano e para a meta central de 4,5% em 2017 não contempla "reduções" da taxa básica de juros, afirmou o diretor de Política Econômica da autoridade monetária, Altamir Lopes. Ele participou de evento promovido pelo JP Morgan, em São Paulo, nesta segunda-feira (22). Seu discurso foi divulgado na íntegra pelo Banco Central.

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"Ressalto que o cumprimento do regime de metas [patamar abaixo de 6,5% para o IPCA em 2016] e a convergência da inflação para a meta de 4,5%, em 2017, não contemplam reduções da taxa básica de juros", declarou Altamir Lopes.

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Na semana passada, o diretor de Política Monetária da instituição, Aldo Mendes, já havia sinalizado que BC não deve reduzir no curto prazo a taxa básica de juros da economia, mas o recado não havia sido dado de forma tão direta. Na ocasião, Mendes declarou que os mecanismos de inércia inflacionária não "deixam espaço para uma flexibilização das condições monetárias [redução dos juros]".

A especulação de que o Banco Central poderia vir a baixar a taxa de juros nos próximos meses ganhou força após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), formado por diretores e presidente da autoridade monetária. No mês passado, a taxa foi mantida estável em 14,25% ao ano - contrariando expectativas do mercado. Ela começou a ser afastada somente na última sexta-feira, com a avaliação de Mendes.

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A percepção do mercado financeiro de que o BC poderia vir a baixar os juros aconteceu porque até poucos dias antes da reunião do Copom, que manteve a taxa inalterada, em janeiro, o BC indicava que subiria a taxa Selic para tentar controlar a inflação, mas depois acabou deixando-a inalterada alegando baixo nível de atividade no Brasil e no mundo. Analistas que apontam que o BC sucumbiu a pressões políticas.

Inflação na meta
Apesar das declarações dos diretores do BC, no mercado financeiro há uma descrença geral de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, ficará abaixo da meta de 6,5% neste ano e próxima de 4,5% em 2017 - conforme o objetivo da autoridade monetária.

A expectativa do mercado financeiro, porém, em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras conduzida pelo próprio BC, é de que a inflação oficial do país some 7,62% em 2016 (bem acima do teto de 6,5%, estourando, assim, novamente a meta de inflação) e 6% em 2017 - muito superior ao objetivo central de 4,5%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância, que fixa um teto de 6% para o ano que vem.

"A piora nas expectativas fundamenta-se, em grande parte, na inflação corrente mais elevada que o esperado. Assim, à medida que o processo desinflacionário materializar-se - esperamos desinflação de 2 pontos percentuais já neste primeiro semestre -, as expectativas deverão estabilizar-se ou mesmo apresentar retração", disse Altamir Lopes.

Efeito do dólar e dos preços administrados na inflação
Para ele, apesar de o efeito inflacionário da depreciação cambial [alta do dólar, que encarece insumos e produtos e importados e pressiona a inflação] predominar no curto prazo, no horizonte temporal de médio prazo o efeito desinflacionário das condições da economia real, expresso no maior hiato do produto, tende a prevalecer", declarou Lopes.

Adicionalmente, disse o diretor do Banco Central, é importante notar que o câmbio passou por expressiva depreciação em 2014 e 2015 - 21% no segundo semestre de 2014 e 47% em 2015, para ser mais preciso -, deixando menor espaço para movimentos significativos de depreciação em 2016.

Por outro lado, ele avaliou que a taxa de câmbio mais depreciada (dólar em um patamar mais alto) deverá estimular a substituição de importações, com reflexos positivos não só para a balança comercial, mas também para a atividade econômica.

Sobre os preços administrados (como energia elétrica e gasolina, por exemplo), Altamir Lopes, do Banco Central, observou que houve um "expressivo ajuste" ocorrido em 2015, quando os administrados avançaram 18%, e acrescentou que isso "deverá levar a significativa redução da inflação desses preços no ano corrente".

Contas públicas
Para o diretor do Banco Central, é preciso garantir uma trajetória de resultados primários (superávits nas contas públicas) que permita a "estabilização e a posterior redução do endividamento público em relação ao PIB, medida crucial para reforçar a percepção positiva sobre o ambiente econômico, para melhorar a confiança dos agentes, e para contribuir para a ancoragem das expectativas de inflação".

"Destaco a importância de que sejam dissipadas incertezas acerca das trajetórias das variáveis fiscais para o ano corrente, contribuindo para uma percepção mais positiva sobre a evolução e a consolidação da política fiscal no país", declarou ele. Lopes não afirmou que acredita no atingimento da meta fiscal deste ano - ao contrário do que afirmou o diretor Aldo Mendes na semana passada.

A meta fiscal deste ano, fixada no orçamento federal, é de R$ 30,5 bilhões de superávit, ou 0,5% do PIB. Na sexta-feira passada (19), o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, informou que o governo quer uma permissão para que suas contas apresentem um rombo de até R$ 60,2 bilhões neste ano. Para isso, enviará um projeto de lei complementar alterando a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) nos próximos dias.

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