CONECTADOS: Um raio X do uso de celulares nos presídios de Alagoas
Gazetaweb consegue falar com um reeducando do Cyridião por telefone e pelo aplicativo WhatsApp
O aviso à porta do sistema prisional é claro: é proibido o uso de aparelhos telefônicos. No entanto, as placas parecem ser mera formalidade. Basta passar o portão principal para perceber que a regra é descumprida, e não apenas do lado de fora das celas. Um levantamento da Secretaria de Estado da Ressocialização mostra que, só em 2015, foram encontrados 466 celulares com reeducandos.
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Os detentos usam os aparelhos para fazer contato com os familiares, receber orientações de advogados e ordenar crimes de dentro das prisões, como os ataques a ônibus registrados em Maceió no ano passado. A "regalia" pode custar caro para os privilegiados. Dependendo do grau de fiscalização e do modelo escolhido, os reeducandos desembolsam entre R$ 800 e R$ 1.000 para adquirir um celular. A opção mais cara inclui até o acesso à internet.
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A Gazetaweb foi em busca de informações sobreesse mercado e mostra que a omissão do Estado e a corrupção de agentes públicos são os principais motivos dessa prática ilegal. Advogados, representantes da Justiça, agentes penitenciários e até mesmo ex-detentos são unânimes: só existem três formas de um aparelho telefônico chegar até as celas. E, em geral, elas contam com a conivência de servidores.
A primeira delas é durante as visitas íntimas ou sociais. Mães, mulheres e filhas de detentos se arriscam ao introduzir aparelhos nas próprias vaginas ou ânus. Além do risco de prisão, por tentar entrar no sistema com itens proibidos, podem se contaminar com materiais químicos pesados que compõem a estrutura de baterias. Quem é pego com um celular é autuado em flagrante e responde a um processo criminal.


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A segunda e a terceira formas dependem da participação direta de agentes públicos. Uma delas acontece por meio dos presos que trabalham na área externa do sistema e que transportam o aparelho celular quando retornam para os presídios. A outra, ironicamente, acontece por meio de quem é pago para fazer a guarda e evitar que os telefones cheguem até os reeducandos: os agentes penitenciários.

Com o celular nas mãos, os presos conseguem fazer ligações e também ter acesso à internet, por meio da qual fazem atualizações nas redes sociais e mantém contato com pessoas que estão fora do sistema prisional fazendo uso do aplicativo de conversasWhatsApp.
Com a ajuda de um advogado, a reportagem conseguiu conversar pelo aplicativo com um reeducando, que confirmou estar falando do presídio Cyridião Durval, situado no Complexo Prisional Alagoano, na parte alta de Maceió.
Por meio do mesmo número telefônico, aGazetawebfez ligações e tentou manter um diálogo com os presos, apesar do sinal ruim. Em determinado momento da conversa, um dos reeducandos entende que está falando com um advogado e passa o telefone para um colega de cela. "Deve ser tu...advogado Olival", afirma. E a tentativa de conversa continua com outro presidiário.

Um advogado criminalista, que preferiu não se identificar, garante que já recebeu inúmeras ligações efetuadas de dentro do presídio. E não só isso: as mensagens via
são constantes.


