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Brasil sonega amostras de zika para pesquisa no exterior, dizem cientistas

OMS pede que país envie mais material biológico para institutos de ponta. Centros de diagnóstico fazem exportação extraoficial de ampolas à Europa

O Brasil não está compartilhando amostras e dados o suficiente sobre o zika para permitir que pesquisadores determinem se o vírus está realmente por trás dos casos de microcefalia, afirmam autoridades dos EUA e da ONU (Organização das Nações Unidas).

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A falta de dados está forçando laboratórios americanos e europeus  a trabalharem com amostras de surtos anteriores e está frustrando esforços para desenvolver testes diagnósticos, drogas e vacinas. Cientistas afirmam que não são capazes de acompanhar a evolução do vírus.

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Um dos principais problemas parece ser a legislação brasileira. No momento, é tecnicamente ilegal para pesquisadores e institutos brasileiros compartilhar material genético, incluindo amostras de sangue contendo zika e outros vírus.

"É um assunto muito delicado, esse compartilhamento de amostras", afirmou Marcos Espinal, diretor de doenças comunicáveis da OMS (Organização Mundial da Saúde).

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Espinal afirma que o problema deve ser resolvido por meio de discussões entre os presidentes dos EUA e do Brasil. Ele afirma que o papel da OMS é majoritariamente o de estimular países a compartilharem. Segundo ele, porém, é provável que o Brasil tenha providenciado menos de 20 amostras até agora para colaboradores fora do país.

"Não é possível deixar isso para ser resolvido depois", ele afirmou. "Esperar é sempre arriscado durante uma emergência."

Bioburocracia

Em maio de 2015, quando os primeiros casos de zika estava emergindo no Brasil, a presidente Dilma Rousseff sancionou uma nova lei para organizar como pesquisadores usam os recursos genéticos do país. Mas o arcabouço legal não foi regulamentado ainda, deixando cientistas em um limbo jurídico.

"Até que a lei seja implementada, somos legalmente proibidos de enviar amostras para fora", afirmou Paulo Gadelha, presidente da Fundação Oswaldo Cruz, um dos maiores centros de pesquisa em doenças tropicais no país. "Mesmo quando queremos mandar esse material para o exterior, não podemos, porque é considerado um crime."

A proibição não necessariamente significa que pesquisadores estrangeiros não possam ter acesso a amostras. Algumas foram compartihadas com os EUA, incluindo amostras de tecido de dois recém-nascidos que morreram e dois fetos recentemente examinados pelos CDC (Centros de Controle e Prevenção dos EUA). Mas uma autoridade americana afirmou que isso não é suficiente para desenvolver testes precisos para o vírus ou determinar se o zika está de fato por trás do recente aumento no número de casos de defeitos congênitos. O fenômeno fez a OMS declarar o vírus uma emergência internacional na segunda-feira (1).

Alguns pesquisadores estão contornando a burocracia brasileira ao obter amostras enviadas a eles por laboratórios de diagnósticos privados, afirma Jonas Schmidt-Chanasit, especialista em doenças transmitidas por mosquitos no Instituto Bernard Nocht de Medicina Tropical em Hamburgo, Alemanha.

"É quase impossível conseguir amostras do país", diz. "Elas não estão vindo por canais governamentais oficiais. Nossa única fonte são pessoas ricas que querem um diagnóstico."

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