Ranking aponta que Alagoas é o estado menos competitivo do Brasil
Pesquisa do Centro de Liderança Pública, em parceria com revista inglesa, foi elaborada com base apenas em informações fornecidas por fontes oficiais
O ranking elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), em parceria com a Economist Intelligence Unit (EIU) - ligado à revista inglesa The Economist -, divulgado esta semana, aponta que Alagoas é o estado menos competitivo do Brasil. O estado ficou abaixo da média nacional, que é de 37 pontos. Somou apenas 25, perdendo para o Acre em 10 pontos. Já em relação a São Paulo, que lidera o ranking, a diferença foi de 65 pontos.
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O ranking foi construído com base apenas em informações públicas fornecidas por fontes oficiais e de referência, e ponderado de acordo com critérios do grupo de pesquisa. O objetivo, segundo a entidade, é provocar um "incômodo saudável" nos gestores públicos.
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No topo da lista, como em edições anteriores do ranking, aparece o estado de São Paulo, que destaca-se pela oferta e pela qualidade de serviços públicos e privados, além da boa infraestrutura. Estados menores, entretanto, obtiveram boas colocações, deixando para trás grandes centros econômicos. São exemplos disso Paraná e Santa Catarina. Ambos alcançaram avaliações positivas em indicadores como solidez das finanças públicas e capacidade de investimento do governo, além de boas condições de desenvolvimento social de seus habitantes.
"O objetivo da lista é gerar um saudável incômodo nos agentes públicos, para que não se acomodem e busquem melhorar os seus resultados", afirma Adriano Pitoli, diretor da área de análise setorial Tendências e coordenador técnico do estudo. Segundo ele, transformar todos os índices em uma só métrica, com intervalo de 0 a 100 pontos, é algo que o estudo fazia desde 2011, quando sua primeira edição foi divulgada.


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Este ano, porém, a metodologia foi aperfeiçoada. A coleta e a análise dos dados nacionais passaram a ser responsabilidade da consultoria Tendências, enquanto a EIU ficou com a tarefa de prover números de outros países, a fim de fazer comparações internacionais.
Até o ano passado, eram analisados 26 indicadores em oito categorias. A análise, agora, leva em consideração 64 indicadores, em dez pilares: infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.
Os resultados gerais revelam que a competitividade ainda está concentrada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Contudo, a avaliação dos resultados revela surpresas. Em infraestrutura, a Paraíba apareceu no terceiro lugar, à frente de Santa Catarina e Rio de Janeiro. A cobertura da rede elétrica e a qualidade do serviço são destaque tanto no estado paraibano, quanto no Ceará e no Maranhão.
Roraima e Acre ocupam a quarta e a quinta posições no ranking de segurança pública - quesito no qual Alagoas também se destacou no último ano -, com resultados acima da média nacional no número de homicídios em relação à população. Os dados estão disponíveis no site www.rankingdecompetitividade.org.br. Os exemplos mostram que a riqueza (ou a falta dela) não é necessariamente determinante para a boa qualidade do serviço. "Desejamos revelar bons administradores, capazes de entregar resultados em diferentes áreas, apesar do orçamento limitado", afirma Pitoli.
Nos estados nordestinos, entretanto, não houve avanço expressivo em áreas como saúde e educação. O desafio, portanto, não é só enriquecer, mas gerir os recursos de forma eficiente. Pelo estudo, fica evidente que até os estados mais bem avaliados estão distantes de países desenvolvidos.
Em quase todos os 22 indicadores em que há dados equivalentes, como os de qualidade de rodovias, desigualdade de renda, saneamento e qualificação dos trabalhadores, a média brasileira está longe da obtida pelas nações avançadas. No indicador de coleta de esgoto, por exemplo, o Espírito Santo, o melhor estado brasileiro, não se compara ao México, país com o pior resultado, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
