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Investidores podem continuar confiando no Brasil, diz Barbosa

Ex-chefe da pasta do Planejamento vai substituir Joaquim Levy na Fazenda. Valdir Simão ocupará o cargo que era de Barbosa à frente do Planejamento

O novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou em discurso logo após sua posse que os investidores nacionais e estrangeiros podem continuar confiando no Brasil. Na tarde desta segunda-feira (21), durante cerimônia de transmissão de cargo, ele afirmou que o maior desafio do país nesse momento é estabilizar e, num segundo momento, reduzir a dívida pública brasileira.

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"Nesse momento, o nosso maior desafio é fiscal. Nosso maior desafio é construir as condições para estabilizar e reduzir o nosso grau de endividamento público, tanto em termos de dívida líquida quanto em termos de dívida bruta", disse Barbosa.

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"Temos todas as condições de superar esse desafio. Diferentemente do passado, quando nosso maior problema era cambial, hoje enfrentamos um problema eminentemente interno. E o Estado brasileiro tem todos os instrumentos necessários para reequilibrar as nossas contas públicas", completou ele.

Barbosa fez elogios à gestão de Levy e disse que as iniciativas dele para o "reequilíbrio da economia" devem ser "ressaltadas e valorizadas". Mas apontou que é preciso "avançar mais".

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"Precisamos continuar e aperfeiçoar nossa política econômica para recuperar a estabilidade fiscal e o controle da inflação, bem como para recuperar o nível de atividade econômica e a geração de emprego", disse Barbosa.

Ações imediatas
Barbosa disse que os desafios econômicos do Brasil "demandam ações imediatas" e fez um apelo a "todos os poderes da União" para "superar os problemas atuais".

Aos investidores, Barbosa pediu confiança e disse que vai tomar todas as medidas necessárias para retomar o crescimento da economia.

"Apesar das turbulências, os investidores nacionais e internacionais podem confiar no Brasil. Trabalharei para transformar nosso potencial em oportunidades concretas", disse.

Equipe
Barbosa anunciou a equipe que vai acompanhá-lo no trabalho à frente do Ministério da Fazenda. O cargo de secretário-executivo, número dois da pasta, será de Dyogo Henrique Oliveira.

Oliveira, que ocupava o mesmo cargo no Ministério do Planejamento durante a passagem de Barbosa, assume o no lugar de Tarcísio José Massote de Godoy.

Para a chefia da Secretaria do Tesouro Nacional, Barbosa anunciou Otávio Ladeira de Medeiros, que era secretário-adjunto da área fiscal. Ele assume no lugar de Marcelo Barbosa Saintive.

A secretaria de Política Econômica será chefiada a partir de agora por Manoel Pires. Ele entra no lugar de Afonso Arinos Mello de Franco Neto. Para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Barbosa anunciou Fabrício Da Soller. Ele vai suceder a Paulo Roberto Riscado Junior.

Permanecem nos cargos o Secretário de Acompanhamento Econômico, Paulo Guilherme Corrêa, o secretário de Assuntos Internacionais, Luis Antonio Balduino Carneiro, e o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid.

Posse
Mais cedo, durante a cerimônia de posse, no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a presença de Joaquim Levy nos primeiros 12 meses de seu segundo mandato foi "decisiva" para que o governo realizasse "ajustes imprescindíveis". Levy deixou o governo federal na última sexta-feira (18), substituído por Nelson Barbosa, que comandava o Ministério do Planejamento.

Perfil
Homem de confiança da presidente Dilma Rousseff, Barbosa assume a chefia da área econômica do governo após discordar de Levy e se impor nos embates sobre as medidas para restabelecer o reequilíbrio da dívida pública, sobretudo no que diz respeito ao nível da meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida).

Economista de formação e com um perfil mais técnico do que político, Barbosa é visto como uma pessoa de grande afinidade com a presidente, embora seja encarado pelo mercado como "desenvolvimentista", uma vez que ao longo do ano conseguiu convencer a presidente Dilma de medidas e metas menos dolorosas do que as que eram propostas pelo colega Levy.

Barbosa assume a Fazenda com o desafio de manter o esforço pela reorganização das contas públicas e de resgatar a confiança na retomada do crescimento da economia diante do quadro de profunda recessão, inflação de volta à casa dos dois dígitos e com o país tendo perdido o selo de bom pagador por duas agências de classificação de risco.

Planejamento
No lugar de Barbosa no Ministério do Planejamento, a presidente Dilma deu posse a Valdir Simão. A troca também havia sido confirmada na sexta-feira (18) pelo Palácio do Planalto.

Valdir Moysés Simão ocupava o cargo de ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), onde estava desde janeiro de 2015. Com a ida dele para o Planejamento, Carlos Higino Ribeiro de Alencar assume interinamente como chefe da CGU.

Simão é auditor de carreira da Receita Federal, mas nos últimos anos ocupou posições estratégicas em ministérios, secretarias e na Previdência Social. Entre os cargos está o de secretário-executivo da Casa Civil.

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