Twitter anuncia nova política contra conteúdos manipulados

A rotulagem dos 'tuítes' que incluem os conteúdos multimídia manipulados terá início em 05 de maio

Twitter anunciou hoje uma nova política contra os conteúdos multimídia sintéticos ou manipulados que proíbe compartilhá-los de maneira enganosa para causar danos e também pode eliminar, marcar ou avisar os tweets que contêm esse tipo de material.
A rede social considera conteúdo manipulado aquele que foi "substancialmente editado", de uma forma que "altera significativamente a sua composição, sequência, tempo ou enquadramento", que possui informações visuais ou sonoras que foram adicionadas ou removidas ou que foram fabricadas ou simuladas para representar uma pessoa.
O Twitter indica, em comunicado, que não será possível compartilhar "de maneira enganosa conteúdo" manipulado com o objetivo de causar danos.
Além disso, esta nova política permite ao utilizador rotular esse tipo de conteúdo multimídia "para fornecer às pessoas informações sobre a autenticidade do conteúdo e oferecer um contexto adicional".
A rotulagem dos 'tuítes' que incluem os conteúdos multimídia manipulados terá início em 05 de maio, refere a nota.
Rotular ou excluir uma mensagem terá em conta se o contexto em que o conteúdo multimídia foi compartilhado pode "gerar confusão ou mal-entendido" ou se é "uma tentativa deliberada de enganar as pessoas sobre a natureza ou origem do conteúdo, por exemplo, afirmando falsamente que isso reflete uma realidade".
Da mesma forma, o contexto fornecido juntamente com o conteúdo será avaliado: o texto do 'tuíte' que o acompanha, as informações de perfil da pessoa que o compartilha e as páginas na internet vinculadas a esse perfil ou mensagem.
Os 'tuítes' que compartilham conteúdos multimídia manipulados podem ser removidos "se houver riscos de causar danos", diz a nota, que aponta para várias situações.
Alguns desses danos específicos são para o Twitter as ameaças à segurança física de uma pessoa ou grupo, e risco de violência em massa ou agitação civil generalizada, exemplifica.
Também estão incluídos nesta categoria ameaças à privacidade ou capacidade de uma pessoa ou grupo de se expressar livremente ou participar num evento, como perseguição ou atenção indesejada e obsessiva; conteúdo específico que inclui tropos, epítetos ou material destinado a silenciar alguém; e supressão ou intimidação dos eleitores, acrescenta o comunicado.
Caso a rede considere que o conteúdo multimídia foi "alterado ou criado de forma significativa e enganosa", compromete-se a fornecer "um contexto adicional" no 'tuíte'.
Esse contexto significa que o utilizador pode, entre outras opções, rotular a mensagem ou exibir um aviso aos outros utilizadores antes que eles 'retuítem' ou gostem.
Outras opções são reduzir a visibilidade do 'tuíte' na rede social e impedir que seja recomendado, além de fornecer "explicações ou esclarecimentos adicionais disponíveis, como redirecionar para outra página que adiciona mais contexto".
O Twitter anuncia esta nova política após ter aberto um período de consulta em novembro passado para obter 'feedback' dos utilizadores, durante o qual recolheu 6.500 sugestões e opiniões de todo o mundo e consultou especialistas acadêmicos para determinar a abordagem inicial.
Após essa consulta, a rede social estima que as pessoas, "em geral, reconhecem a ameaça representada pela alteração enganosa do conteúdo multimídia e desejam que o Twitter faça algo a esse respeito".
Os dados indicam que, globalmente, mais de 70% das pessoas que usam a internet consideram que seria "inaceitável" não tomar medidas contra esse tipo de conteúdos manipulados.
Além disso, mais de 90% das pessoas que compartilharam os seus comentários apoiam que esta rede social exclua esses conteúdos "quando esteja claro que se destina a causar algum tipo de dano".