Vídeo: Paulo Dantas é acusado pelo pai de fazer parte de esquema de corrupção na ALE

Investigação na Polícia Federal apura esquema de servidores fantasmas na Casa de Tavares Bastos

O depoimento o ex-deputado estadual Luiz Dantas (MDB) reforçando as denúncias de um esquema de servidores fantasmas na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) caiu como bomba no meio político. Em um vídeo de 30 segundos, Luiz Dantas acusa o filho, o governador Paulo Dantas (MDB), de aproveitar da sua “chancela” (assinatura ou carimbo) para nomear pessoas das cidades de Batalha e Major Izidoro na folha de pagamento da Assembleia para, supostamente, fazer a “rachadinha”. O esquema foi descrito pela Polícia Federal como “Laranjal de Batalha”, terra natal da família Dantas.

No fim da tarde dessa sexta-feira (23), o vídeo com o depoimento do ex-deputado começou a circular nos grupos de Whatsapp em Alagoas. No material, Luiz Dantas faz referência ao inquérito da Polícia Federal, de número 137/2017, que investiga a denúncia do suposto esquema criminoso liderado pelo filho no parlamento alagoano. À época, Dantas era presidente da Assembleia Legislativa e, por sua vez, Paulo era diretor da Casa de Tavares Bastos. Os crimes teriam acontecido durante os anos de 2016 e 2017, conforme o inquérito da Polícia Federal.

“Eu tinha uma chancela para chancelar todos os documentos. Algumas pessoas foram para a folha da Assembleia sem o meu conhecimento. Paulo estava envolvido nisso também, porque Paulo fazia parte da estrutura. Ele fez um derrame dessa chancela no município de Batalha e Maior Izidoro. Eu não quero que as pessoas de Alagoas sejam surpreendidas como eu fui, ou traídas como eu fui”, diz o pai do governador no vídeo que ganhou as redes sociais. À Gazetaweb, Luiz Dantas confirmou as declarações no vídeo , mas esclareceu que não falaria mais sobre o caso.

Nos depoimentos à Polícia Federal, destacados no vídeo com o pai do governador, constam relatos de beneficiários do extinto Bolsa Família que teriam sido arregimentados por vereadores ligados a Paulo Dantas e ao seu cunhado, o hoje prefeito de Major Izidoro, Theobaldo Cintra, para o esquema. Ainda conforme a PF, a quebra de sigilo fiscal mostrou que os investigados ligados aos políticos tinham movimentação financeira incompatível com a realidade que viviam.

“(..) Os fatos aqui noticiados são aterradores e comprovaram que a Assembleia Legislativa de Alagoas ainda chafurda no lodaçal da corrupção endêmica que assola nosso país e permanece como instituição administrada por grupo que se acha acima da lei e da ordem, em que pese as diversas ações policiais e corretivas ocorridas nos últimos anos em sede legislativa. O cenário criminoso instalado na Assembleia Estadual demonstrou-se grave e de vigoroso capaz de utilizar todas ferramentas a disposição para obstar a instrução do inquérito policial e manter a prática delitiva pelos integrantes da organização, com escopo exclusivo de manter as rédeas do Poder Legislativo estadual e utilizá-lo para fins não republicanos”, descreve a PF.

Informações de bastidores apontam que, ao longo do fim de semana e até o dia 2, outros vídeos com depoimentos e revelações do pai do governador ganharão destaque. Em nota à Gazeta, Paulo Dantas negou os crimes e disse lamentar que questões familiares estejam sendo utilizadas politicamente. Abaixo, leia a nota na íntegra.

"Não sou e nem fui investigado em relação a esses fatos de 2017. Sou ficha limpa e lamento que questões familiares sejam usados pelo candidato Rodrigo Cunha, num jogo baixo para tentar desgastar minha imagem num momento em que lidero todas as pesquisas eleitorais".