Título de Cidadão Honorário a Bolsonaro gera intenso debate e deve ser votado hoje na Câmara de Maceió

Matéria foi incluída na ordem do dia; na internet, até abaixo-assinado pede que o Legislativo rejeite a proposta

A possibilidade de o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ser agraciado com o Título de Cidadão Honorário de Maceió tem gerado um intenso debate na Câmara Municipal e manifestações frequentes nas redes sociais. O projeto de decreto legislativo, apresentado pelo vereador Leonardo Dias (PSD), é previsto para ser votado na tarde desta quarta-feira (28), na sessão plenária do Parlamento Mirim, sob este clima de polêmica no ar.

A matéria tinha sido incluída na ordem do dia para votação nessa terça-feira (27), mas, a pedido do vereador João Catunda (PSD), foi retirada com a promessa de que entraria na lista de prioridades da sessão seguinte (nesta quarta).

A Gazetaweb confirmou, com a diretoria de comunicação da Câmara Municipal de Maceió, que o projeto foi incluído na pauta e, caso não haja qualquer impedimento até lá, deve ser apreciado em plenário durante a tarde. Outro projeto também prevê a concessão do título ao ministro Tarcisio Gomes de Freitas, da Infraestrutura.

Na justificativa ao projeto de decreto legislativo, Leonardo Dias alegou que Bolsonaro tem se destacado pela postura imparcial na distribuição dos investimentos e recursos para o Brasil, como defensor das liberdades individuais, da desburocratização e do incentivo à atividade econômica. Também salientou que o presidente adotou medidas cabíveis para ajudar na investigação das causas e na resolução dos problemas das rachaduras no bairro do Pinheiro.

O vereador pontuou, ainda, que o chefe da nação repassou cerca de R$ 18 bilhões para Alagoas, no ano passado, sendo R$ 6 bilhões em benefícios direitos aos cidadãos, e R$ 1,9 bilhão para uso exclusivo no combate à pandemia. Dias ainda elogiou as obras de infraestrutura trazidas para o Estado e ponderou o que chama de ‘linguagem informal do presidente’.

“Embora muitas vezes cause desconforto em determinados segmentos da sociedade, inegavelmente Bolsonaro se aproxima do sentimento dos brasileiros em várias questões do cotidiano. Esta característica, inclusive, levou Bolsonaro a atingir uma popularidade raramente vista na história do Brasil”, destacou o autor do projeto.

Oposição na Casa diz que presidente não merece título

Opinião divergente ao colega de Parlamento, o vereador Dr. Valmir (PT) diz considerar que Jair Bolsonaro não merece a honraria, “por estar exercendo sua atividade numa política de morte, ao invés de buscar ações que preservem a vida”. E completa: “Qual município ou/e qual cidadão não deseja homenagear o presidente do seu país. O preocupante é que nosso presidente não está à altura do cargo. Todo o seu discurso é contra a vida, a melhora das condições de vida das pessoas”, disse o vereador à Gazetaweb.

Desde que a matéria foi lida na sessão e passou a ser amplamente publicizada nas redes sociais, pelo autor, tem sido motivo de comentários e discussões no ambiente virtual. Até um abaixo-assinado foi criado pela ONG AVAAZ com o pedido para que a Câmara de Maceió não conceda o título a Jair Bolsonaro, chamado de “genocida” pelos organizadores.

“O título desonra e desrespeita a memória das inúmeras vidas ceifadas, em grande parte evitáveis e diretamente atribuíveis à conduta do pior presidente da história desta nação e à de seus cúmplices. A Câmara de Maceió não pode homenagear com a concessão de qualquer título a alguém que rejeita a ciência, a vacina, desinforma e influencia na morte do povo de Maceió e do Brasil todo”, destaca o texto publicado na página da ONG. Até as 11h desta quarta, havia 1.141 assinaturas pela rejeição ao projeto.

“Nos próximos dias, nosso presidente e seus ministros estarão em Maceió, para entregar diversas obras financiadas pelo Governo Bolsonaro. Nada mais justo que a gente retribua todo o carinho que sua equipe vem dispensando ao Nordeste, com o título de cidadão de nossa amada Maceió. A esquerda pode reclamar e choramingar, mas, contra fatos, não há argumentos. Foram bilhões de reais investidos em diversas áreas. Votarei 'sim' ao título de Cidadão”, antecipa Leonardo Dias.