Servidores da Adeal rechaçam negociatas do Governo de Alagoas com o comando do órgão

Agência Agropecuária de Alagoas, que, desde 2006, já contou com 12 diretores, está prestes a ter mais uma mudança

A necessidade do governador Renan Filho (MDB) em acomodar aliados políticos na estrutura do Executivo transforma alguns órgãos em verdadeiras "moedas de troca". Que o diga a Agência Agropecuária de Alagoas (Adeal), que desde 2006, já contou com 12 diretores e, agora, está prestes a ter mais uma mudança. Em geral, os escolhidos não são quadros do órgão nem têm alguma formação para gerir a atividade, além do fato de ficarem pouco tempo, quase sempre no intervalo do um pleito para o outro.

O questionamento é do Sindicato dos Servidores de Fiscalização Estadual Agropecuária de Alagoas (Sinfeagro). Desta vez, Maikon Beltrão, candidato derrotado na disputa para a Prefeitura de Coruripe, é o escolhido, como forma de manter fiel a base aliada, o seu irmão Marx Beltrão (PSD). A entidade deixa claro que não tem nada pessoal com os indicados, apenas não compreende a postura do governo em agir com descaso com a atividade que tem relevância com o setor produtivo agropecuário.

"O sindicato repudia a constante troca e destaca que interfere, diretamente, no trabalho da fiscalização agropecuária: o controle sanitário de rebanhos, a produção animal e vegetal, leite e derivados, carne e derivados, pescado, mel e tantos produtos de Alagoas que chegam à mesa do alagoano. O que um ex-vereador por Maceió indicado pelo deputado Marx Beltrão pode trazer de benefício a uma instituição de fiscalização e controle agropecuário, como é a Adeal?", indaga a presidente da entidade, Flávia Marques.

Quanto ao comportamento do chefe do Executivo, a entidade acredita que gera desmando, além de representar um claro desrespeito à qualidade do serviço desempenhado e que tem reflexos diretos no dia a dia dos alagoanos. Na prática, o governo deixa de lado a preocupação com a saúde da população, levando em conta apenas os seus interesses pessoais, que passa pela eleição em 2022.

"Para que haja imparcialidade na condução das ações preconizadas pelo MAPA [Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento], que incluem a salvaguarda da sanidade dos rebanhos e plantações, bem como da Saúde Pública Alagoana, é fundamental a presença na gestão, inclusive na presidência, de servidores efetivos ingressados na Adeal por concurso público", completou Flávia.

Mas, como o comando das funções é sempre a partir de cargos de confiança, a própria entrada de um novo diretor-presidente quase sempre implica na realocação de outros cargos, já que sempre quem chega nunca o faz só. Isso, além de quebrar, permanentemente, a cadeia de comando, interrompe fluxos de trabalho e produção, até que o novo gestor comece a, de fato, implementar o seu ritmo. Na prática, aprender como a casa funciona.

Em meio ao anúncio de mais uma iminente mudança, o Sinfeagro cobra uma posição do governador. Entretanto, sabem que o silêncio - quase sempre usado - é mais um capítulo nos sucessivos atos de desrespeito a todos os servidores concursados, qualificados e dedicados à atividade para a qual se formaram para exercer.