Lula nega contradição e garante que Brasil nunca será efetivo da Opep

Lula confirmou que Brasil passará a integrar lista de “aliados” da Opep+, para tentar influenciar grupo a buscar investimentos em renováveis

Enviada especial a Dubai* – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu, neste domingo (3/12), que não há contradição entre as políticas de transição energética defendidas pelo governo federal e a adesão do Brasil à Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) como “aliado”, anunciada por ele no sábado (2/12).

Lula está em Dubai, nos Emirados Árabes, para participar da Conferência das Nações Unidas para Mudança do Clima (COP28), e tem defendido mudanças efetivas para a redução do uso de combustíveis fósseis, maior vilão da emissão de gases do efeito estufa a nível global.

Durante a conferência, o petista confirmou que o Brasil vai aceitar o convite da Opep para integrar o grupo como “observador”, mas não será responsável por tomar decisões em nome da aliança de países exportadores de petróleo.

“É participando desses fóruns que a gente vai convencer as pessoas que uma parte dos recursos ganhos com o petróleo deve ser investido para a gente anular o petróleo, criando alternativas. É isso que a gente tem que fazer”, afirmou.

“Não tem nenhuma contradição. O Brasil não será membro efetivo da Opep nunca, porque nós não queremos. O que nós queremos é influir”, declarou em coletiva de imprensa, antes de partir para a próxima etapa do roteiro em Berlim, na Alemanha.

Lula tem defendido que a participação no grupo será como “observador”, e que a intenção é influenciar no bloco na tentativa de convencer os países exportadores de que eles precisam investir nos países em desenvolvimento para que as nações mais pobres tenham condições de investir em alternativas de energia renováveis.

“A verdade é que nós precisamos diminuir o combustível fóssil. Mas precisamos criar alternativas. Antes de você acabar, por sectarismo, você precisa oferecer pra humanidade a opção”, argumentou.

A Opep surgiu em 1960 e reúne, atualmente, 13 países. Entre eles, Arábia Saudita, Irã, Venezuela, Equador, Líbia, Nigéria, Catar e Emirados Árabes Unidos. Não fazem parte da entidade, contudo, grandes produtores, como Estados Unidos, Canadá, Brasil e China.

A sigla “Opep+” foi criada a partir da inclusão no grupo de “países aliados”. Eles não fazem parte formal da organização, mas participam de debates e atuam em políticas ligadas ao comércio de petróleo. Entre os aliados da Opep+ estão Azerbaijão, Bahrein, Malásia, México e Rússia, por exemplo.

*Repórter Ana Flávia Castro viajou a convite do Instituto Clima e Sociedade

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