Grupos pró e contra impeachment ocupam Esplanada dos Ministérios

PM apreendeu fogos de artifício e mochila com suposta bomba caseira

Manifestantes pró e contra impeachment ocuparam a Esplanada dos Ministérios neste domingo (17), faltando poucas horas para o início da análise do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados. Por volta de 13h, a Secretaria de Segurança Pública estimou a presença de 3,6 mil pessoas a favor do afastamento a petista. De acordo com a pasta, havia pouco movimento do grupo antagônico. Os movimentos são separados por um muro, que tem 80 metros de largura e um quilômetro de extensão.
Com a divisão, que começa na Rodoviária do Plano Piloto, os manifestantes pró-impeachment ficaram concentrados nas proximidades do Museu Nacional da República. Do mesmo lado ficam a Catedral Metropolitana, o Ministério da Saúde e o Palácio do Itamaraty. Os grupos contrários ao impeachment têm como área reservada os arredores do Teatro Nacional Cláudio Santoro, podendo circular perto dos ministério da Defesa e Planejamento, além do Palácio da Justiça.
Pela manhã, policiais militares apreenderam caixas de fogos de artifício na parte de cima de uma árvore no estacionamento do Ministério da Ciência e da Tecnologia (lado a favor do impeachment). Os mais de 20 artefatos estavam em uma sacola cheia de folhas. O item consta na lista de proibições durante o protesto. O dono não foi localizado, e ninguém foi preso.
A corporação também apreendeu nas proximidades uma mochila com uma suposta bomba caseira. O capitão Michello Bueno afirmou que são feitas varreduras constantemente dos dois lados. O Batalhão de Cães tem participado das atividades.
Um ponto de "pit stop" para água foi instalado em frente ao Ministério do Turismo por grupos que apoiam o governo da presidente Dilma Rousseff. São pelo menos 30 galões disponíveis para os manifestantes do lado pró-governo.
O juiz Sérgio Moro, que analisa casos da Operação Lava Jato em primeira instância, ganhou uma versão gigante como super-homem inflável. O boneco tem cerca de sete metros de altura e foi montado na via atrás da Esplanada dos Ministérios. Devido ao calor, muitos manifestantes sentaram aos pés do boneco inflável para ficar à sombra.
Um grupo de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ligado ao PT deixou o estado às 14h30 de sábado, de ônibus, e chegou ao DF às 5h. O estudante de gestão de políticas públicas Otávio Caiuby disse que  fez questão de estar em Brasília para pressionar deputados indecisos. "Meus pais são contra o governo Dilma, mas entenderam que eu tinha de vir e respeitaram".
Grupos contra o impeachment da presidente Dilma instalaram telões na Esplanada para que o público possa acompanhar a votação na Câmara, prevista para começar às 14h. No lado dos defensores do governo, o GDF autorizou a instalação de equipamentos nos ministérios da Fazenda, Defesa, Minas e Energia/Turismo e Comunicação/Transportes. Do lado pró-impeachment, dois telões foram instalados.
Os ambulantes Gustavo dos Santos e Alessandro Marques estão desde as 8h na Esplanada dos Ministérios. Eles esperam faturar R$ 600 hoje. O preço da água é R$ 2 e o do refrigerante, R$ 3. "Estamos aqui por causa dessa crise. A pior crise da história do Brasil. Queremos que a Dilma saia", afirma Santos.
Representantes do Sindicato Rural de Itaporá (GO) juntaram um grupo de dez pessoas para ir a Brasília protestar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. A viagem durou quatro horas. "O governo tem que sair. Ela [Dilma] não investe nos produtores rurais", afirma Milton Souza.
Integrantes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) distribuem bandeiras, camisas e chapéus para manifestantes pró impeachment. Eles também se manifestavam contra a ministra da Agricultura, Kátia Abreu.
O efetivo na região contava com mil policiais militares por volta das 12h. As delegacias da área central e do Departamento de Polícia Especializada foram reforçadas. O Detran mantém as vias S2 e N2 abertas para chegada dos manifestantes e servidores do Congresso Nacional. Um total de 60 agentes e 30 viaturas supervisionam as pistas.
A Federação Nacional dos Policiais Federais informou em nota que estrangeiros flagrados participando de manifestações políticas podem ser presos por até três anos e expulsos do país. A pena atende às determinações do Estatuto do Estrangeiro, por ver a atitude como atentado à ordem política ou social e à tranquilidade pública.
Por causa da votação do impeachment, pontos turísticos estão com as visitas suspensas nos próximos dias. O Congresso Nacional segue fechado para o público externo até quinta-feira (21). A Catedral Metropolitana está aberta apenas para as missas. O Palácio do Planalto só funcionará neste domingo para atividades administrativas.