Comerciantes de bairros atingidos por instabilidade de solos participam de audiência pública

Sessão foi presidida pelo vereador Chico Filho (MDB) e teve a participação de representantes da prefeitura

Soluções para amparar os quase quatro mil comerciantes que mantinham seus negócios nos bairros atingidos pela instabilidade de solos em Maceió foram debatidas durante audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Maceió, nessa sexta-feira (1º). O debate foi promovido pelo vereador Chico Filho (MDB) e, também, teve a participação do presidente da Comissão Especial dos Bairros com Afundamento de Solos, o vereador Leonardo Dias (PSD).

Segundo Chico Filho, o acordo feito no início das rachaduras tem-se mostrado ineficiente.

“Ouvindo os empreendedores que investiram a vida em um local que hoje está desabitado, percebi que, mesmo que ele consiga se mudar e levar tudo com ele, os bairros de destinos nem sempre podem receber mais um comércio. Por exemplo, como uma padaria, do nada, se instala em outro bairro que já tem uma estrutura própria com seus clientes? Quem vai pagar esse prejuízo?”, questionou o vereador.

Comerciantes também participaram da audiência, contando a situação dramática que estão enfrentando desde o primeiro tremor, em 2018. O representante dos cerca de 4 mil negócios atingidos, Alexandre Sampaio, chamou a atenção não só para o número de negócios atingidos, mas para todo seu contexto.

“Somos responsáveis por nossas famílias e as famílias dos nossos funcionários. Quando uma empresa deixa de funcionar, são muitos os prejudicados. A indenização por dano moral foi criada para tentar reparar determinado sofrimento. O choro é legitimo, mas o acordo não é. Precisamos revisá-lo, bem como seus critérios”, observou Alexandre.

Também fizeram seus relatos a bailarina, mestra em balé, escritora e membro da Academia Alagoana de Letras, Eliana Cavalcanti,  e a psicóloga clínica e empresária que mantinha três negócios na região, Kátia Sampaio, entre outros pronunciamentos igualmente contundentes.

O vereador licenciado e atual secretário municipal de governo, Francisco Sales Filho (PSB), também discursou, falando do isolamento do bairro de Bebedouro, que teve parte de suas casas desocupadas, o trânsito modificado e muitos pequenos negócios atingidos pelo êxodo urbano.

“Minha revolta não é como político, mas como ex-morador que, assim como muitos, precisou sair de seu pedaço de chão, onde a família de meus pais me criou, mesmo contra nossa vontade”, desabafou, durante discurso na tribuna. “Precisamos de uma força-tarefa envolvendo governador, prefeitura e vereadores. Unidos, poderemos cobrar celeridade. Colocar ideias em prática e amparar esses comerciantes que estão, em sua maioria, doentes emocionalmente diante de tantas dificuldades”, acrescentou Sales.

Representando a prefeitura, estiveram presentes à sessão o coordenador do Gabinete de Gestão Integrada para Adoção de Medidas de Enfrentamento aos Impactos do Afundamento dos bairros (GGI dos Bairros), Rony Malta, que afirmou que o prefeito JHC (PSB) tem acompanhado de perto os pareceres e demandas das famílias atingidas. A defesa Civil municipal foi representada pelo professor e coordenador da pasta, Abelardo Nobre.

Resultado

Após ouvir todas as partes, o presidente da comissão especial, vereador Leonardo Dias, afirmou que seu gabinete está de portas abertas para receber comerciantes que queiram acrescentar algo mais ao que foi debatido em plenário. “O primeiro passo foi ouvir os relatos, agora precisamos buscar indenizações justas e céleres, para dar alguma assistência aos comerciantes que tentam sobreviver ao derredor das áreas atingidas”, observou Dias.

Já Chico Filho garantiu que provocará o Judiciário para tentar rediscutir o acordo atual, que não atende as necessidades básicas dos comerciantes afetados.

“Queremos saber quais os critérios a Braskem tem usado para definir valores”, observou o edil. As vereadoras Teca Nelma (PSDB), Silvania Barbosa (PRTB) e o vereador Joãozinho (Podemos) também participaram da sessão pública. Comerciantes e moradores também participaram através dos canais no Youtube e via Zoom.

A Braskem, empresa que extraiu sal-gema durante décadas de Maceió, o que causou a instabilidade dos solos, confirmou presença, mas, horas antes de iniciar a sessão, informou que não poderia enviar um representante.