Bolsonaro diz que houve fraude nas eleições nos EUA, sem apresentar provas

Presidente votou pela manhã no Rio e tirou a máscara para falar com eleitores e jornalistas

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) votou na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, em Deodoro, na Zona Oeste do Rio. Ele chegou por volta das 10h35 deste domingo (29) ao local e conversou com eleitores e jornalistas, após tirar a máscara que usava.
O presidente brasileiro disse ter informações de que houve fraude na eleição presidencial dos EUA, mas não apresentou nenhuma prova.
"Tenho as minhas fontes de informação -- não adianta falar para vocês, não vão divulgar --, que realmente teve muitas fraudes lá. Teve e isso ninguém discute. Se elas foram suficientes para definir um ou outro eu não sei. Eu estou aguardando um pouco mais."
Vários líderes mundiais já reconheceram Joe Biden como vitorioso nas eleições norte-americanas contra Donald Trump.
Durante a apuração dos votos, o atual presidente Trump, de quem Bolsonaro diz se considerar mais próximo, chegou a declarar vitória e repetidamente denunciou eleitoral, mas não apresentou provas que fosse consideradas concretas pela Justiça.
Na sexta (27), uma corte federal de apelações nos Estados Unidos rejeitou o pedido dos advogados do presidente Donald Trump de bloquear a certificação da vitória de Joe Biden no estado da Pensilvânia.
Neste domingo, terminou a recontagem em Wisconsin, que apenas serviu para aumentar a margem de vitória de Biden. Foi mais uma derrota para o republicano, que tentou reverter os resultados em seis estados por meio de ações judiciais.
Polêmica com a China
O presidente também comentou a polêmica com a China e disse que o país precisa mais do Brasil do que o contrário.
"Não tem problema nenhum com a China. Nós precisamos da China e a China precisa muito mais de nós. Nós temos interesse na China, eles têm interesse em nós. Eles tem quase 1,4 bilhão de pessoas para alimentar. A China tem se transformado, nos últimos anos, em mais urbana do que rural. A China, com o problema da peste suína, teve a necessidade de importar commodities do campo nosso."
A crise na diplomacia entre Brasil e China foi provocada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente. Na segunda-feira (23), o deputado, que preside a Comissão de Relações Exteriores na Câmara, associou a tecnologia 5G chinesa à espionagem e atacou o Partido Comunista da China. Depois, apagou o comentário feito em rede social.
A embaixada da China usou a mesma rede social para rebater o deputado e criticar os constantes ataques, que chamou de "declarações infames". Na quinta (26), o vice-presidente minimizou os ataques de Eduardo Bolsonaro. Na sexta, Hamilton Mourão endossou a crítica do Itamaraty à embaixada chinesa.
O Itamaraty não reprovou as declarações de Eduardo Bolsonaro.
Voto impresso
Bolsonaro votou acompanhado por uma comitiva e usava máscara, como determinam as medidas sanitárias em vigor na capital fluminense. Cerca de 25 apoiadores do presidente estavam no local. Após votar, o presidente tirou a máscara para falar com eleitores e com a voltou a dizer que o sistema eleitoral brasileiro não é confiável, também sem provas.
"Que nós possamos ter em 2022 um sistema seguro que possa dar garantias ao eleitor que em quem ele votou, o voto foi efetivamente para aquela pessoa. A questão do voto impresso é uma necessidade, está na boca do povo. Desde há muito eu luto no tocante a isso. E as reclamações são demais. Não adianta alguém querer bater no peito e falar que é seguro, não tem como comprovar. Estamos vendo o trabalho de hacker em tudo quanto é lugar aqui, até fora do Brasil", disse o presidente.
Nestas eleições, uma análise da Polícia Federal em conjunto com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontou que um ataque hacker acessou apenas dados administrativos do tribunal no primeiro turno. Segundo o TSE, esses ataques não afetam a votação porque as urnas não estão ligadas à internet. Portanto, os equipamentos não são vulneráveis a ataques.
No ano passado, as urnas eletrônicas foram submetidas a um grupo de peritos da Polícia Federal, que encontrou duas falhas consideradas superficiais no sistema. De acordo com o tribunal, as falhas detectadas não alteram a segurança do processo eleitoral.
O suspeito pelo ataque foi preso em Portugal, neste sábado (28), em uma operação conjunta entre a Polícia Federal e a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária Portuguesa. O preso é um cidadão português de 19 anos, que usaria o codinome Zambrius e comandaria um grupo intitulado Cyberteam.
Ainda de acordo com o presidente, o TSE tem obrigação de "entregar o voto impresso" em função da transparência e que pretende discutir a questão no ano que vem.
"Tenho conversado com as lideranças do Congresso e nós pretendemos, no começo do ano que vem, partir pra isso. A decisão é do Poder Executivo e do Poder Legislativo".