Irã ataca com mais de 12 mísseis bases de americanos no Iraque

Base aérea de Al-Asad e outra em Erbil foram atingidas. A Guarda Revolucionária do Irã assumiu a responsabilidade pelos lançamentos

Duas bases aéreas que abrigam tropas dos Estados Unidos e da coalizão no Iraque foram atingidas por foguetes, na noite de hoje. Ainda não se sabe se houve vítimas. O Pentágono confirmou os ataques, e o Irã assumiu a autoria. 
A TV estatal iraniana disse que a Guarda Revolucionária Islâmica do país lançou "dezenas" de foguetes, como resposta à morte do general iraniano Qassim Soleimani, na última quinta-feira, após um ataque americano. Uma das bases atingidas foi Ain al-Asad, em Anbar. A outra se localiza em Irbil.
O principal negociador do Irã para assuntos nucleares, Saeed Jalili, postou a imagem da bandeira iraniana no Twitter, logo depois dos primeiros relatos de ataques à base aérea de Al-Asad. O fato lembra atitude do presidente norte-americano Donald Trump, que na semana passada postou uma bandeira dos EUA em sua conta na rede social após o ataque que matou Soleimani. 
A porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, disse que Trump já foi informado dos ataques de hoje.
"Estamos cientes dos relatos de ataques às instalações dos EUA no Iraque. O presidente foi informado e está monitorando a situação de perto e consultando sua equipe de segurança nacional", disse ela, em relato reproduzido pela rede americana CNN. 
Em dezembro de 2018, Donald Trump fez uma visita surpresa à base de al-Asad, atingida hoje, para declarar que "os Estados Unidos não podem continuar a ser a polícia do mundo".
"Está claro que esses mísseis foram lançados do Irã e atingiram pelo menos duas bases militares iraquianas que hospedavam militares e coalizões dos EUA em Al-Assad e Irbil", afirmou Jonathan Hoffman, assistente do Secretário de Defesa para Assuntos Públicos, em comunicado. "Estamos trabalhando nas avaliações iniciais dos danos de batalha", completou. 
Segundo o Pentágono, as duas bases americanas atingidas já estavam em alerta máximo "devido a indicações de que o regime iraniano planejava atacar nossas forças e interesses na região". 
"Ao avaliarmos a situação e nossa resposta, tomaremos todas as medidas necessárias para proteger e defender o pessoal, parceiros e aliados dos EUA na região", afirmou o Pentágono. 
Morte de general 
A ação ocorre poucos dias depois do ataque coordenado pelos americanos contra um aeroporto em Bagdá, no Iraque, e que matou Qassim Suleimani, o chefe da Força Revolucionária da Guarda Quds do Irã, considerado um dos homens mais importantes do país. Além dele, ao menos outras sete pessoas também morreram. 
A ação foi o resultado de um longo e complexo processo de apuração de dados de inteligência coletados por agentes de campo, informantes secretos, interceptação eletrônica de mensagens, rastreamento por meio de aeronaves de reconhecimento e "outros meios de caráter reservado", de acordo com o Pentágono. 
Os Estados Unidos utilizaram o drone MQ-9 Reaper, tido como o principal e mais letal veículo aéreo não tripulado de ataque ofensivo da Força Aérea americana. 
O general Suleimani, de 62 anos, era visto como um herói no Irã e exercia um papel-chave nas negociações políticas para formar um governo no Iraque. Foi um dos principais personagens do combate às forças jihadistas na região, tinha uma atuação fundamental no reforço da influência diplomática de Teerã no Oriente Médio, especialmente no Iraque e na Síria. 
Após se manter discreto durante décadas, Suleimani começou a aparecer nas manchetes dos jornais depois do início da guerra na Síria, em 2011, onde o Irã apoia o regime do presidente Bashar al Assad.