Mais de 70% dos ônibus escolares de AL estão parados e motoristas ameaçam greve

Cerca de 600 transportadores estão frustrados após reuniões sem sucesso com o governo de Renan Filho; atraso salarial é a causa

Cerca de 600 transportadores escolares de Alagoas protestam, na manhã desta quarta-feira (2), no Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa), contra o atraso no pagamento de seus salários, que já perdura por cinco meses. Indignados com a postura tomada pelo governo de Renan Filho (MDB), diversos motoristas pararam os seus ônibus e montaram barracas na unidade de ensino. Mais de 70% da frota está parada em todo o Estado, como forma de protesto. 
Esta é a quinta mobilização feita pela categoria em um espaço de apenas dois meses, em que os profissionais continuam protestando pela mesma demanda e sem receber uma resposta satisfatória do Governo. 
De acordo com Israel Nascimento, representante dos motoristas, diversas negociações foram feitas com o secretário de Educação, Luciano Barbosa, e o gerenciamento de crises; contudo, após a prorrogação de diversos prazos, os pagamentos continuam sem dia nem hora para cair na conta de quem mais precisa. 
"Acordamos com o secretário e o gerenciamento de crise uma forma de nos pagar. Eles solicitaram documentações e entregamos, pediram vários prazos. Até ontem solicitaram uma declaração, alegando que iriam nos pagar, mas, até agora, nada, e eles mesmos afirmaram que não há prazo para nos pagar. Este pagamento é o nosso salário, que está atrasado há cerca de cinco meses", explicou Israel.
Os transportadores, que são aproximadamente 800 em todo o Estado, acordaram em não aderir a uma futura greve em sua totalidade, em decorrência de um pedido feito pela Secretaria da Educação. 75% da frota total de ônibus escolares encontra-se parada em todo o Estado.
Tal fato acomete também a vida dos estudantes do Centro de Ensino, que se sentem prejudicados pela falta de pagamento dos servidores. É o caso das alunas Eduarda e Gabriela, de 14 anos e 15 anos, respectivamente.
As estudantes alegam que vão se atrasar para chegar em casa. Alunas do Cepa há um ano, elas falam que o problema é antigo. 
"A sensação de sair da aula e não contar com os ônibus é terrível. Sem falar que, por várias vezes, não trazemos dinheiro e fica difícil sair daqui por outro meio de transporte. Sei que não é culpa dos motoristas, mas muita gente aqui está sendo prejudicado", disseram elas, que, atualmente, cursam o 9º ano do Ensino Fundamental.
Ao redor, é visível a frustração entre os estudantes. Um deles, que não quis se identificar, disse que mora no conjunto Eustáquio Gomes, parte alta de Maceió, e fica triste com toda a situação. Sem dinheiro para voltar para casa, informou que vai tentar negociar com algum motorista de ônibus coletivo para, assim, chegar ao seu destino.

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