Órgão do TJ vai apurar omissão na escritura da mansão de Flávio

Decisão foi tomada após reportagem informar que trechos da escritura receberam tarjas pretas

A Corregedoria do Tribunal de Justiça do Distrito Federal decidiu instalar um procedimento administrativo para apurar suposta omissão de dados na escritura pública da mansão comprada pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

A informação foi divulgada nesta terça-feira (9) pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmada pela TV Globo.

Segundo o jornal, a cópia da escritura, entregue pelo 4.º Ofício de Notas do Distrito Federal, recebeu tarjas pretas em 18 trechos, que contêm informações como documento de identidade, CPF, CNPJ e renda dos compradores.

A TV Globo teve acesso à mesma escritura no último dia 2 e, na ocasião, a cópia da escritura foi entregue sem informação ocultada.

Por ter a responsabilidade de fiscalização sobre cartórios, a apuração será realizada pela Corregedoria do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. O cartório onde a escritura foi lavrada fica em Brazlândia, cidade a 45 quilômetros da capital.

Ao jornal "O Estado de S. Paulo", o tabelião afirmou que não houve tratamento privilegiado e que omitiu os dados com base na Lei 105/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras.

De acordo com o artigo 37 da Constituição, atos da administração pública, direta e indireta, devem obedecer o princípio da publicidade. Ainda segundo a Constituição, os serviços notariais e de registro são exercidos por delegação do Poder Público.

Além disso, o artigo 215 do Código Civil define que a escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública e, segundo a lei nº 6.015, que trata dos registros públicos, os oficiais dos registros públicos são obrigados a "fornecer às partes as informações solicitadas".

Contradições

A mansão comprada pelo senador Flávio Bolsonaro custou R$ 5,97 milhões e fica em um bairro nobre de Brasília. O imóvel tem área total de 2,4 mil metros quadrados.

Documentos obtidos pela TV Globo revelaram contradições no pagamento feito pelo senador.

De acordo com a escritura do imóvel, o senador Flávio Bolsonaro e Fernanda, mulher dele, pagaram R$ 2,87 milhões com "recursos próprios" e o restante (R$ 3,1 milhões) por meio de um financiamento no Banco de Brasilia (BRB), com uma taxa de juros reduzida, de 3,71% ao ano.

Mas uma nota assinada nesta pelos advogados do empresário Juscelino Sarkis, antigo dono da casa, revelaram que Flávio Bolsonaro ainda deve R$ 1,78 milhão.