Caso Davi: TJ mantém júri popular de policiais militares acusados de matar jovem

Decisão foi unânime entre os desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas que julgaram recurso dos réus

Está mantida a decisão de pronúncia a júri popular dos policiais militares acusados de torturar, sequestrar, assassinar e ocultar o cadáver de Davi da Silva, no Benedito Bentes, em Maceió, no ano de 2014. A decisão foi unânime entre os desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), que julgaram recurso dos réus nessa quarta-feira (6).

Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e Nayara Silva de Andrade recorriam da decisão de pronúncia proferida pela juíza Juliana Batistela em setembro do ano passado. O jovem desapareceu após abordagem dos militares da Radiopatrulha em agosto de 2014.

A decisão de Batistela prevê que os policiais militares devem sentar no banco dos réus e responder diante de um júri popular pelos crimes de homicídio duplamente qualificado conexo aos crime de ocultação de cadáver e tortura, sendo Raniel Victor Oliveira da Silva a vítima deste último. Ele foi abordado junto com Davi da Silva.

Mais de sete anos depois do crime, o caso ainda não teve julgamento. Os réus sempre responderam pelo crime em liberdade. Os três homens atualmente ocupam o posto de cabo, e a mulher saiu da Polícia Militar de Alagoas (PM/AL).

O CASO

Davi da Silva, à época com 17 anos, desapareceu em 25 de agosto de 2014, no bairro Benedito Bentes. Ele e Raniel Victor foram abordados por uma guarnição da Radiopatrulha. Segundo testemunhas, os policiais colocaram Davi dentro da viatura e, desde então, ele não foi mais visto.

Há seis anos, quando remetido à Justiça, o inquérito elaborado pela comissão de delegados que investigou o caso afirmava que "a impunidade para os autores tem causado descrédito das instituições que compõem a estrutura da justiça criminal".

A liberdade dos policiais acusados dos crimes foi de encontro ao que os delegados sugeriram no inquérito. Eles pediam a prisão dos quatro militares e argumentaram que "os investigados, soltos, a partir do indiciamento, quando serão individualizados, representam um grave risco à instrução criminal, uma vez que as testemunhas correrão risco de vida".