FPI resgata mais de 500 animais em situação de cativeiro irregular

Operação aconteceu nas cidades do Alto Sertão de Alagoas; maioria das espécies é nativa da Caatinga

Retirados de seu habitat e mantidos em cativeiro, 512 animais silvestres foram resgatados pela Equipe Fauna da 11ª FPI do São Francisco durante a primeira semana de operação, que acontece nas cidades do Alto Sertão de Alagoas, desde o dia 20 de novembro. Aves, répteis e mamíferos recebem atendimento veterinário e passam por reabilitação, para depois ganhar a liberdade.

A maioria das espécies é nativa da Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro que ainda sofre com a degradação humana e onde a cultura de caçar animais silvestres persiste, apesar do trabalho insistente de conscientização e fiscalização dos órgãos ambientais.

O médico veterinário Rick Vieira, da Organização Não Governamental (ONG) SOS Caatinga, explicou que mais de 90% dos animais resgatados chegam ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) com desnutrição severa.

“A situação demonstra que esses animais, capturados ilegalmente de seu habitat e mantidos em cativeiro, não recebem a alimentação adequada ou recebem apenas uma fonte de alimento. As pessoas não sabem, por exemplo, que os jabutis, conhecidos também como cágados, se alimentam de proteínas como carne de animais mortos ou ovos. O papagaio não come somente semente de girassol, ele também se alimenta de frutas. Precisam de uma alimentação variada, encontrada em seu habitat”, explica.

Rick Vieira diz que o hábito de criar animais silvestres, principalmente aves, ainda é muito forte no Sertão de Alagoas. “Eles sofrem muita crueldade, como a amputação das asas e as pessoas costumam cegá-los, para que cantem. Mas aquele som é um pedido de socorro”, relata o veterinário.

Animais recebem tratamentos após resgate - Foto: Jonathan Lins/Ascom FPI do São Francisco

Ao chegar no Cetas, os animais passam por tratamento com médico veterinário, se for preciso, recebem suplementos vitamínicos e passam por reabilitação para poder voltar para a natureza. Porém, alguns ficam impossibilitados de ganhar a liberdade por estarem muito debilitados ou acostumados com a presença humana.

Entre os animais resgatados na primeira semana da FPI, estão: 486 aves, 19 jabutis, 1 sagui, 1 Tatupeba e 5 preás. Entre as espécies de aves estão: Papa-Capim, Sanhaço, Galo de Campina, Canário da Terra, Saíras, Asa Branca – ave símbolo do Nordeste, codorna-do-nordeste e um Carcará que, aparentemente, foi vítima de atropelamento e passa por reabilitação no hospital de campanha, Papagaio do Mangue, Papagaio Verdadeiro, Periquito da Caatinga, Jesus-Meu-Deus, outros nativos e alguns que não ocorrem no Estado de Alagoas que devem ser enviados para sua região de origem.

O médico veterinário e consultor ambiental do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Rafael Cordeiro, diz que o principal objetivo da Equipe Fauna é a manutenção das espécies, oferecendo suporte médico, alimentação e condicioná-los para que voltem ao seu habitat.

“A FPI é importante para reforçar o combate ao crime contra esses animais. As pessoas precisam saber também que, caso queiram criar animais silvestres, elas podem se cadastrar como criador amador, buscar a legalização junto ao IMA. Outro ponto importante é trabalhar a educação ambiental. Despertar nas pessoas que precisamos preservar a nossa fauna”, reforça.

Tatupeba resgatado - Foto: Jonathan Lins/Ascom FPI do São Francisco

*Com assessoria